sábado, 1 de fevereiro de 2014

Sangue no gelo - The Frozen Ground - 2013



Por Jason

Entre 1980 e 1983, Robert Hansen, mais conhecido na comunidade como Bob, matou entre 17 e 21 mulheres perto de Anchorage no Alasca com requintes de crueldade indescritíveis. Bom caçador, Bob contratava prostitutas e strippers, para mantê-las como escravas sexuais por dias, até levá-las para a floresta gelada onde eram soltas e caçadas como animais (leia mais sobre os casos ao final deste texto).

O filme Sangue no Gelo traz o policial Jack Halcombe, interpretado por Nicolas Cage, no encalço desse serial killer. Ninguém acredita que Bob, um cidadão acima de qualquer suspeita, pai e marido exemplar, dono de um comércio conhecido, possa ser o monstro que aterroriza as mulheres do Alasca. A única forma de colocá-lo atrás das grades é com a ajuda de Cindy (Vanessa Hudgens), uma prostituta que conseguiu fugir do maníaco e está aterrorizada por ele, já que Bob está em seu encalço para apagá-la e não ser acusado dos crimes que cometeu.

Cindy Paulson se tornou prostituta cedo. Era abusada na infância, fugiu de casa e, após o incidente, saiu das ruas e vai virar stripper numa casa noturna. Usuária de drogas, seu testemunho não foi levado a sério pela polícia, já que Bob tinha álibis, deixando o policial Jack na luta por um mandado de busca do assassino serial. A própria Cindy era uma pessoa difícil, fugindo da proteção policial e se envolvendo com cafetões. O filme é um suspense policial do tipo Super Cine, com Nicolas Cage em boa caracterização e um bom desenvolvimento de personagens, em especial o esforçado John Cusack. Quando os dois estão em cena, o filme se enriquece e eleva o nível do roteiro raso: eles seguram as pontas até o final.

Há uma série de poréns, a começar pelo roteiro. Ele simplifica os acontecimentos e não deixa o espectador saber nem deduzir nada, entregando tudo de bandeja. O próprio assassino já é conhecido com antecedência, logo no começo, assim como seu modo de ação é ilustrado quase que didaticamente. Ele também releva uma série de fatos importantes sobre o caso no perfil do assassino. Vanessa Hudgens, no papel da prostituta Cindy, é péssima e não convence; Radha Mitchell desfila de acessório de cenário e o espectador tem que aturar 50 Cent ainda incorporando a vontade de ser ator, como o cafetão de Cindy. Vale, contudo, pela presença de Cage, que de vez em quando acerta, de Cusack, que parece estar se especializando em assassinos (depois de Paperboy, com Nicole Kidman) e pela curiosidade a respeito do caso.

Cotação: 2/5 

ROBERT CHRISTIAN HANSEN


Nascido em Pocahontas, Idaho, em 1940, Hansen era o filho de um imigrante dinamarquês, que seguiu os passos de seu pai como um padeiro. Em sua juventude, Hansen era magro e tímido, aflito com uma gagueira e com um caso severo de acne que o deixou permanentemente marcado. (Nos últimos anos, ele recorda de seu rosto como "uma grande espinha"). Evitado pelas meninas atraentes na escola, ele cresceu as odiando e criando fantasias cruéis de vingança.

Hansen se casou em 1961 e se divorciou em menos de um ano, logo após sua primeira prisão sob a acusação de incêndio criminoso. Seis anos depois, ele se casou com outra nativa de Pocahontas e ela o seguiu até Anchorage, Alaska, onde abriu sua própria padaria e prosperou em uma nova terra, seguramente longe das lembranças dolorosas da infância e da adolescência. Hansen teve aulas de vôo e comprou o seu próprio avião particular, ganhando uma reputação de caçador, que vivia ao ar livre perseguindo ovelhas Dahl, lobos, e ursos com seu rifle ou com arco e flecha.

Em 1972, Hansen foi preso mais duas vezes, acusado pelo rapto e tentativa de estupro de uma dona de casa (que escapou de suas garras) e pelo estupro de uma prostituta. Cumprindo menos de seis meses com uma carga reduzida, ele foi pego novamente, pelo furto de uma motoserra, em 1976. Condenado, ele foi sentenciado a cinco anos de prisão, mas a sentença foi anulada em recurso, o Supremo Tribunal do Alaska considerou sua sentença como "muito severa". Desconhecido pelas autoridades locais, as atividades visíveis de Hansen eram apenas a ponta de um iceberg. De acordo com sua confissão posterior, Hansen atacava mulheres consistentemente na década entre 1973 e 1983, matando 17 e violentando outras 30 que sobreviveram.

Como alvo, ele selecionava prostitutas, dançarinas exóticas e afins, sequestrando-as de avião e levando-as para o deserto fora de Anchorage, onde elas eram forçadas a atuar nas fantasias privadas de Hansen. "Se elas se fizessem o que eu queria", explicou ele, "nós voltaríamos para a cidade. Eu dizia a elas que se me causassem qualquer problema, eu tinha contatos que as colocariam na cadeia por prostituição." Resistência — ou pedidos de pagamento após o sexo — resultaram no assassinato de algumas vítimas, às vezes com um toque macabro. Hansen as despia e as perseguia como animais, matando-as com uma faca de caça ou seu rifle de caça.

Os corpos começaram a surgir em 1980, quando os trabalhadores de uma construção descobriram os restos de uma mulher, aparentemente devorada por um urso perto de Eklutna Road. As investigações preliminares concluíram que ela havia sido esfaqueada até a morte em 1979, mas o corpo parcialmente devorado e o estado avançado de decomposição não permitiram que ela fosse identificada e acabou apelidada de "Eklutna Annie" pelos policiais designados para trabalhar no caso.

Mais tarde naquele ano, o corpo de Joanna Messina foi encontrado em uma pedreira perto de Seward e uma força-tarefa especial foi organizada para investigar os assassinatos. Assim como no caso anterior, o corpo estava mastigado por ursos e isso comprometeu a investigação, pois não havia como traçar uma relação entre as duas mortes e ambos foram tratados como casos isolados.

Com a impunidade veio a segurança e em 1983, Hansen decidiu poupar tempo e energia no que chamaria de seu "projeto verão". Ele se livrou de sua esposa e seus dois filhos os enviando em uma viagem de férias pela Europa e começou a trazer suas vítimas para sua própria casa. Em seguida, ele começou a publicar anúncios em um jornal local para solteiros, procurando mulheres para "unir-se para encontrar o que está além da próxima curva, ao longo da próxima colina."

No dia 13 de junho de 1983, a prostituta Cindy Paulson surgiu diante de um carro da polícia, com algemas penduradas em um pulso e gritando por socorro. Depois que ela se acalmou, ela guiou os policiais até a casa para a qual havia sido levada. A polícia sabia que a casa era a do padeiro Robert Hansen, um homem que até onde se sabia, era tido como um tipo respeitável. Eles então levaram a menina até o aeroporto, onde ela apontou o avião de Hansen e identificou o padeiro como o homem que a violentou. Segundo seu relato, ele havia pago US$ 200 pelo sexo oral, mas logo em seguida mudou as regras. Ele então a levou de volta para sua casa, a despiu e a algemou. Cindy foi torturada e estuprada repetidamente por várias horas. 

Quando Hansen enfim se cansou do jogo, ele ordenou que ela se vestisse. Eles partiram em direção cabana a qual Hansen havia levado outras mulheres "como ela" e no caminho teria lhe dito que, geralmente, as mantinha ali durante uma semana ou mais antes de matá-las. Então a levou em seu carro até o aeroporto privado onde guardava seu avião particular. Ele soltou as algemas para colocá-la no avião, mas em uma manobra ela conseguiu se desvencilhar e fugir.Poucas horas depois, Hansen foi pego em sua casa. Sob interrogatório, ele parecia gaguejar muito, mas foi capaz de convencer os policiais de que ele não tinha nada a ver com a garota. Ele também tinha dois dos homens mais respeitados em Anchorage como álibi. Em comparação com o testemunho de uma prostituta, tudo parecia muito improvável e a polícia desconsiderou o caso.

Poucos meses depois, alguns caçadores se depararam com um cadáver do sexo feminino em uma cova rasa ao lado do Rio Knik, a poucos quilômetros de Anchorage. Era Sherry Morrow, uma dançarina que estava desaparecida há quase 10 meses. Assim que a descoberta foi feita a polícia começou a se preocupar. Um ano antes, haviam encontrado um cadáver na mesma área. Em seus arquivos eles também tinham mais de uma dúzia de mulheres de "ocupações semelhantes" desaparecidas. A balística verificou e comparou os projéteis dos dois corpos e concluiu que eram de um rifle Ruger Mini-14 calibre .223. Ambos os corpos estavam vestidos, sem buracos de bala nas roupas, o que significava que tinham sido vestidas após a morte.

O Detetive Glenn Flöthe, percebendo que havia um serial killer em suas mãos, entrou em contato com o FBI e pediu a ajuda de Roy Hazelwood, que foi trazido para ajudar na investigação e traçar o perfil psicológico do assassino. Segundo ele, o assassino seria um caçador experiente, com baixa auto-estima, um histórico de rejeição pelas mulheres e se sentia obrigado a manter "lembranças" de seus crimes, como jóias de uma vítima ou até mesmo partes do corpo.

De posse de um perfil e revendo os arquivos, Flöthe e os investigadores identificaram que Hansen possuía uma propriedade próxima aos locais onde os corpos haviam sido encontrados e conseguiu um mandado de busca para vasculhar sua casa. No dia 27 de outubro de 1983, os policiais entraram na residência do padeiro e lá encontraram jóias pertencentes às vítimas, recortes de jornal sobre os crimes e uma variedade de armas de fogo - incluindo um rifle Mini-14 calibre .223 e um mapa com 20 pontos marcados, sendo que quatro delas coincidiam com os pontos aonde os primeiros corpos haviam sido descobertos. Porém, como já estavam no inverno, não havia como organizar uma busca por causa da grande quantidade de neve e do piso congelado (frozen ground).

Pressionado, Robert Hansen fez um acordo com a polícia e em 18 de Fevereiro, 1984, declarou-se culpado pelas quatro acusações de assassinato em primeiro grau, nos casos de "Eklutna Annie", Joanna Messina, Sherry Morrow, e Paula Golding. Como parte do acordo as acusações foram retiradas nos outros casos, o que acabou não fazendo diferença, pois Hansen foi sentenciado à prisão perpétua, além de uma pena de 461 anos.

Onze corpos foram recuperados ao longo dos oito meses seguintes. Várias vítimas permaneceram no anonimato, seus nomes ainda eram desconhecidos para Hansen, mas outras foram identificadas como Rox Easland, Lisa Futrell, Andera Altiery, Angela Fetter, Tersa Watson, e DeLynn Frey - todas desaparecidas na região de Anchorage, durante o reinado de terror de Hansen.

Fonte: Terrorama

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