sábado, 15 de fevereiro de 2014

Um amor na trincheira - 2003



Por Jason

O jovem Winchell se alistou no exército em 1997 e em 1998 foi designado para uma unidade de infantaria do exército. Numa noite, Winchell acompanha seu colega de quarto Justin Fisher, e outros soldados em uma excursão noturna pelos bares de Nashville e um clube que apresentava shows ao vivo de transexuais. Lá, Winchell conheceu Calpernia Addams. Os dois começaram a namorar e começaram, também, os problemas de Winchell, que passou a ser perseguido pelo companheiro de quarto Fisher e seu parceiro Glover, que trazia sinais de ser um desequilibrado mental alcoólatra. 

Depois de perder numa briga idiota para Winchell, Glover acabou se vingando e matando o rapaz com porradas em sua cabeça usando um bastão de baseball. Winchell agonizou mesmo com múltiplos traumatismos cranianos até que a família optou por desligar os aparelhos dois dias depois quando foi declarado com morte cerebral. Pelo crime, Glover foi condenado a prisão perpétua por assassinar Winchell; Fisher foi condenado a 12 anos e meio de prisão também por participação e por obstruir o andamento das investigações.

O filme com título nacional idiota "Um amor na trincheira" feito para a tv norte americana (o canal Showtime) transforma essa história real complexa, que poderia levantar uma série de reflexões, num tipo de romance leve, que retira toda a gravidade da situação e não vai adiante nas questões mais profundas que envolvem o assassinato - tanto antes quanto depois dele. O crime foi tão violento que fez o país se revirar e levantar discussões mais pesadas acerca da presença dos homossexuais nas Forças Armadas norte americanas, mas o filme subtrai não apenas esse fato como outros ainda mais importantes. 

A produção negligencia uma série de fatores na composição dos personagens, tal qual uma novela mexicana e parece privilegiar as cenas de sexo entre os dois e o clima de romance açucarado entre os dois personagens. Não se sabe sobre a vida de Wintchell nem sobre o relacionamento com a sua família que é apenas citada e que vai ter papel importante após o ataque - sem falar que no filme ele é retratado como um jovem aparentemente ainda confuso sexualmente (não se sabe o motivo). Winchell foi perseguido pelos colegas preconceituosos, negligenciado pelos seus superiores (situação que o filme praticamente anula), todos homofóbicos, e morto friamente, atacado por Glover com um bastão de baseball em uma cena que não consegue transpor para a tela a crueldade e o peso do ato. 

Paralelo a isso, Calpernia, com quem Wintchell se relacionou, é um personagem que deveria carregar o maior peso da trama mas é rasa como um pires. O pouco que se pode entender é que ela é sexualmente confusa, pertencia a Marinha antes de virar travesti e posteriormente, após a morte do companheiro, realizou uma cirurgia de mudança de sexo. Sua relação com a família é apenas pincelada rapidamente em uma cena novelesca. Ou seja, tudo no filme flutua, sem a densidade dramática necessária para causar o impacto no espectador quando o crime bárbaro surge. Porque algumas histórias, por mais que sejam cruéis, precisam ser contadas de forma que o espectador sinta o dedo remexer a ferida crua e exposta. 

Dos coadjuvantes, nenhum compromete, mas também não se destaca. Lee Pace (o elfo Thranduil de O hobbit) como Calpernia e Troy Garity como Winchell bem que se esforçam e se soltam dentro dos papéis, embora o segundo pareça perdido em algumas cenas. Os dois se dedicam inteiramente as cenas de envolvimento sexual sem nenhum constrangimento, mas o roteiro frouxo e a direção novelesca prejudicam o resultado final.  

Cotação: 1,5/5


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