quarta-feira, 19 de março de 2014

42 - A história de uma lenda - 2013



Por Jason

Jackie Robinson acabou sendo chamado para a Liga de Baseball americano através de um dirigente, o Rickey, do time Brooklin Dodgers. Já era um jogador que se destacava em ligas e times menores quando um olheiro o descobriu para o referido dirigente. Só havia um problema: Robinson era negro e a liga era feita apenas de homens brancos.

Rickey acreditava que os homens negros eram os melhores jogadores no esporte e sabia que podia fazer dinheiro com eles. Tinha também um ressentimento do tempo quando era treinador e não conseguiu livrar um negro do preconceito racial, mesmo sabendo que o atleta em questão era excelente e tinha futuro. Acabou assim usando Robinson para dar o pontapé inicial em seus planos e para acertar as contas com o passado, mesmo sabendo que o atleta tinha fama de pavio curto e respondia aos desaforos e as atitudes preconceituosas dos brancos. 

Robinson teve que resistir ao ódio racial para se manter como atleta do time e se transformar em uma lenda do esporte. A época, aliás, era de total segregação racial: a sociedade americana destinava entradas de lugares e banheiros apenas para os brancos, proibia negros de viajarem com brancos e dividirem os mesmos espaços nos estádios, por exemplo. Dentro do próprio time, seus companheiros não queriam compartilhar a arena com ele pelo fato de ele ser negro - mesmo sabendo que ele era tecnicamente superior aos outros e que poderia ser uma arma contra os times adversários. Foi com a insistência do dirigente e a ajuda de alguns colegas, que Robinson prosseguiu, fazendo com que os outros o aceitassem, sofrendo com os piores insultos dentro do campo e causando a maior polêmica entre os jogadores da liga. 

O filme 42 recria a ascensão do atleta no esporte, trazendo Harrison Ford, o nome mais conhecido do elenco, como o dirigente. É bem realizado, com boa recriação de época, fotografia, direção de arte e figurino. Alguns momentos se destacam, como na cena em que o time tenta se hospedar no hotel mas é impedido por causa da presença de Robinson. A própria vida de Robinson seria inspiradora por si só, pela sua persistência dentro do esporte e por suportar tudo o que suportou. Mas o formato do filme, contudo, é de uma clicheria absurda. 

Frases de efeito vem acompanhadas da trilha sonora enfadonha, melodramática e edificante. Christopher Meloni entra e sai, sem dizer a que veio e cenas em câmera lenta se espalham seguidas pela trilha genérica para comover (até o final). O esporte continua sendo algo para poucos entendedores, com regras que nós pobres espectadores somos incapazes de entender - nem o filme ajuda nisso. O filme também não vai além na vida de Robinson, pegando apenas um período em que entrou para o time e ganhou campeonato (mais tarde, seu filho teria problemas com drogas e ele teria travado mais uma batalha fora dos campos). Robinson morreu relativamente jovem, com pouco mais de cinquenta anos - tinha problemas cardíacos e diabetes -, ao menos não antes de virar lenda do esporte americano e, nesse sentido ao menos, o filme é honesto em respeitar o seu legado.  

Cotação: 3/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...