domingo, 16 de março de 2014

Aeroporto - 1970



Por Jason


Vencedor do Oscar na categoria de melhor atriz coadjuvante (Helen Hayes), indicado nas categorias de melhor filme, melhor roteiro adaptado, melhor som, melhor trilha sonora original, melhor montagem, melhor figurino (Edith Head), melhor fotografia (Ernest Laszlo), melhor direção de arte e melhor atriz coadjuvante (Maureen Stapleton), Aeroporto é um marco no chamado cinema catástrofe. O filme é baseado no livro homônimo de Arthur Hailey, que já flertava com as viagens de avião em Voando para o perigo (1958), onde contava a história de uma infecção generalizada na comida servida aos passageiros e pilotos, o que faz com que um ex piloto de guerra pouse o avião. 

Aqui, a trama tem uma enxurrada de personagens, mas o mais interessante é o homem atormentado, com problemas financeiros, especialista em demolição e com passagem por hospital psiquiátrico - chamado de Guerrero - que embarca com uma bomba em um avião de Nova York para Roma. Paralelo a isso, o aeroporto está passando por uma nevasca, com aviões sobrevoando o espaço aéreo e correndo o risco de colidirem. Uma velha embarca clandestinamente e senta ao lado de Guerrero. Quando a esposa de Guerrero informa o que está acontecendo, o comando em terra entra em contato com o avião e explica a situação. A velha então é usada para distrair a atenção de Guerrero enquanto os outros tentam pegar a bomba que está em uma maleta em suas mãos. A operação dá errado, Guerrero se tranca no banheiro e explode a bomba. 

Começa então o desespero nos vinte minutos finais. Na pista, há um avião encalhado desde o começo do filme, com as rodas soterradas em camadas de neve e que empata o pouso de outras aeronaves na pista principal. No céu, o avião com o buraco é uma zona, cheio de personagens estereotipados e dispensáveis, além de tragicômicos, como uma freira que na hora que a situação aperta, entorna uma pequena garrafa de álcool ou o padre que dá uma bofetada na cara do passageiro desesperado. O buraco na fuselagem começa a fazer com que o avião tenha problemas estruturais mais fundos e os pilotos precisam pousar o mais rápido possível no frio de uma nevasca. Graças a isso, além das sequências, Aeroporto é reconhecido por ser parodiado em "Apertem os cintos, o piloto sumiu" e por gerar uma série de crias parecidas, inferiores ou não, como Turbulência e o mais recente Sem Escalas (este, como no pioneiro, com direito a bomba explodindo e tudo mais).

O elenco conta com uma bela e jovem Jaqueline Bissett, como uma comissária de bordo atingida pela bomba e que está grávida. É ela que protagoniza uma cena antológica, em que pega a velha pelos braços e lhe dá um tapa na cara. Há também o conhecido astro Burt Lancaster (naquela época, os astros mais velhos ainda valiam ouro e significavam grandes bilheterias). Pesa contra o filme, além da idade - os efeitos especiais se tornaram sofríveis - o ritmo devagar, quase parando, da trama, bem como o excesso de personagens, o que faz com que pareça ter o dobro das duas horas de duração. Sem contar que no balaio, há gente com problemas conjugais, casais brigando, filha que foge de casa, adultério e dramas descartáveis, que fazem o  filme só começar a engrenar mesmo com uma hora de trama, com a decolagem do avião. Vale, contudo, para conferir o filme que é um dos mais conhecidos filmes do gênero catástrofe e um dos primeiros a abordar desastres aéreos com realismo e seriedade.



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