sexta-feira, 7 de março de 2014

Expresso para o inferno - 1985


Por Jason

Em Expresso para o inferno, Jon Voight interpreta Manny, um criminoso que passa três anos em uma solitária numa penitenciária de segurança máxima no Alasca. Manny é idolatrado como herói entre os prisioneiros, mas é também uma pedra no sapato do diretor do local, que quer vê-lo morto, já que está sendo acusado de maus tratos e ferindo os direitos humanos. Manny, com a ajuda de Buck, consegue fugir da prisão e os dois vão parar em uma estação de trem. Ao pegarem um dos transportes de carga, o maquinista acaba morrendo num ataque cardíaco e o trem começa a se descontrolar sem freios. 

Manny e Buck precisam primeiro entender o que está acontecendo, ao passo que os operadores das linhas vão fazendo o possível para livrarem a composição de um desastre iminente. Paralelo a isso, surge na trama a mecânica Sara, que trabalhava na manutenção e estava dormindo. Juntos, os três agora precisam pensar em formas de parar o trem e salvarem suas vidas, enquanto o arrogante diretor do presídio trava uma batalha em busca de Manny e Buck para mandá-los de volta para a prisão.

Com esse mote simples e genérico, o diretor russo Andrei Konchalovsky criou um filme de ação eletrizante, que ainda hoje mantém o espectador pregado na cadeira e roendo as unhas, imaginando que a cada curva que a enorme composição faça, algo de ruim irá acontecer com os personagens. Andrei coloca a sua câmera no trem desgovernado em alta velocidade no meio da neve. Usa efeitos práticos, que não envelheceram, adentra a cabine em movimento e sinaliza o tamanho da composição e do problema dos personagens em planos espertos: de perto, o maquinário parece um monstro engolindo a neve, sem controle, barulhento, impressionante e perigoso, mas de longe, nas paisagens geladas e montanhosas do Alasca, parece isolado do restante do mundo, silencioso e minúsculo, onde ninguém pode vê-lo ou atingi-lo. E é através dessa sensação de isolamento que ele consegue um ótimo resultado na química entre Voight e Roberts, o que garante metade do êxito do filme.

Aliás ajuda, e muito, as duas performances indicadas ao Oscar: de Jon Voight, que consegue passar toda a piração, fúria e dor de Manny - o ator ganhou o Globo de Ouro por ela - e de Eric Roberts. Este, surpreende, como o ingênuo e afoito Buck, que apresenta traços de problemas mentais e inventa de ir atrás de Manny por impulso, por achá-lo que ele realmente é um "herói". Desajustado, Buck acaba sentindo afeição involuntária por Sara, embora o relacionamento dos dois beire o desespero. Eric já vinha até então de indicações ao Globo de Ouro e se mostrava convincente e promissor, mas é uma pena que não soube administrar a carreira como a irmã mais famosa, Julia, este ano indicada ao Oscar pela performance em Álbum de família.

Os problemas do filme parecem ser Rebecca De Mornay, que não convence como Sara; os personagens a companhia de transporte de cargas que tentam desviar e parar o trem - são todos descartáveis - e o final inconclusivo do filme. A cena de Manny, sobre o trem caminhando na nevasca rumo ao nada enquanto o diretor do presídio está preso dentro da cabine, conclui os personagens, com um tom até mesmo poético - mas cria um problema, uma interrogação insolúvel na cabeça do espectador sobre o destino de Buck e Sara por quem ele torcia. Pensando bem, até aí o filme já entregou mais do que prometia. Melhor assim.

Cotação: 4/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...