quarta-feira, 12 de março de 2014

Frankenstein - 1994



Por Jason

Após encontrar o Capitão Walton a caminho do polo norte com sua tripulação numa embarcação, o doutor Victor Frankenstein decide contar-lhe sua história. Através de flashbacks, é mostrado quando ele era jovem, sua morreu num parto difícil e ele foi estudar medicina com a intenção de realizar experimentos para driblar a morte. Na escola de medicina, conhece o Dr. Walderman, que lhe conta que tem feito experiências, na tentativa de reanimar tecidos mortos mas que não houve sucesso. Ele alerta para o fato de que a criatura criada jamais reagirá bem ao fato de ter sido ressuscitada se isso ocorrer. Após a morte do professor, contudo, Victor recolhe pedaços de cadáveres e utiliza seus experimentos para trazer à vida a criatura.

O filme Frankenstein, produzido por Francis Ford Coppola e dirigido por Kenneth Branagh é um primor de técnica. Fotografia, direção de arte, figurinos, efeitos e maquiagem, tudo é rico e criativo e ainda hoje se sustenta muito bem. O elenco é primoroso, ambicioso, e é outro ponto forte da produção. Robert De Niro, de doente e executado pelo assassinato do doutor, se transforma na própria criatura. Branagh passa toda a ingenuidade e ao mesmo tempo piração como o doutor Victor Frankenstein. Há ainda a competência tradicional de Ian Holm, como pai de Victor, e de Helena Boham Carter, o interesse amoroso. O filme ainda conta com Aidan Quinn de acessório e Tom Hulce, que recebeu indicação ao Oscar pela interpretação bastante lembrada de Mozart em Amadeus - e cuja carreira não decolou.

Há nojeiras de todos os tipos. Sai o terror e entra o asco. O próprio parto do monstro é algo bizarro e chocante, assim como a ressurreição de Elizabeth (que não existe no original e aqui soa como se fosse encaixada as pressas pelo roteiro, para homenagem desnecessária ao filme A noiva de Frankenstein, de 1935, já que a personagem ressuscitada não dura muito) por quem Victor é apaixonado e acha que resolverá todos os problemas criando outro maior. O filme, que já vinha cambaleando desde o começo com seu tom histérico, desce ladeira abaixo.  De Niro aparece coberto por maquiagem bizarra pesada - e em closes -, ou seja, não há preocupação em criar uma atmosfera de horror ou suspense nem de esconder a criatura. O filme mais parece um drama de um leproso na idade média tentando arranjar amigos para brincar e uma mulher para ter uma noite de sexo, coisas que o roteiro, do ótimo Frank Darabount, não consegue solucionar. Há outros problemas, entretanto, que saltam os olhos. 

Além dos pulos enormes que o roteiro do filme dá, tudo é apressado e por vezes mal desenvolvido. Pessoas entram rapidamente e não se dá importância (o personagem Justine, nota-se, é o mais grave). Não há um trabalho no sentido de se aprofundar nos inúmeros temas discutidos na obra original. Frankenstein, no original, discorre nas entrelinhas a religião (o dom da criação e suas responsabilidades), sobre ciência e tecnologia, mas sobre o ser humano como o verdadeiro monstro da história - e não o monstro em si. A grande sacada - e pelo menos nisso o filme se esforça - é mostrar o monstro como uma criatura que carrega pureza e ingenuidade, mas que é traída pela sua aparência já que a humanidade não consegue enxergar além do que os olhos humanos veem e que desenvolve, graças a isso, os sentimentos ruins como inveja e vingança.  

Os questionamentos filosóficos, éticos, científicos e morais tão presentes no texto original assim são subtraídos e condensados sem profundidade. Completam o combo a música, que é incisiva desnecessariamente, como uma ópera histérica que não para um só momento e que beira o insuportável.

ARRISQUE!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...