quarta-feira, 26 de março de 2014

O navio da morte - 1980



Por Jason

Um transatlântico é alvejado por um estranho navio numa noite de festa. Dos tripulantes e passageiros, apenas um pequeno grupo sobrevive ao naufrágio - incluindo o futuro e o atual capitão, que seria substituído em breve porque a companhia não tolerava mais sua insatisfação e a falta de tato com os passageiros e seus comandados. Improvisando um bote salva-vidas, os sobreviventes acabam encontrando outro navio e logo descobrem que ele está abandonado. Coisas estranhas começam a acontecer, vitimando parte do grupo - o navio se comporta como se tivesse vida própria -, ao passo que os sobreviventes descobrem que a embarcação pertencia a Alemanha nazista e era usada para uma carnificina liderada pelos alemães. 

Esse é o mote do obscuro O navio da morte, uma fita B de 1980 que traz Richard Crenna como o capitão Marshall e pai de dois filhos às voltas com o navio assassino. Crenna, aliás, é facilmente reconhecido como o eterno Coronel Trautman, da trilogia Rambo e aqui parece já dar uma prévia do personagem que o imortalizou. Ele precisa escapar do surto do comandante Ashland (George Kennedy, ganhador do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo ótimo Rebeldia Indomável, com Paul Newman) que, uma vez no navio, passa a ouvir vozes convidando-o a comandá-lo. Enlouquecido, tenta matar o restante dos sobreviventes, o que inclui os dois filhos de Marshall, e sem completar essa missão, acaba destruído pela força maligna que habita o próprio navio.

O filme tem uma premissa interessante, que deve ter servido de mote para o fracassado trash O navio fantasma (2002) mas a sua execução é um desastre. Por ser de baixo orçamento, o momento do naufrágio, por exemplo, é cortado violentamente. A direção (de Alvin Rakoff, mais conhecido por trabalhos na televisão e teatro em que atuou de 1953 a 2012) parece não saber o que está fazendo durante toda a projeção - não há momentos assustadores e falha em tentar provocar suspense e tensão. A descoberta de que o navio pertencia aos nazistas perde seu peso, porque o próprio espectador já havia deduzido muito tempo antes. 

Para os apreciadores de mortes bizarras, há ainda do que se queixar, já que o filme não oferece muita coisa nesse sentido: uma velha envenenada é esganada por Ashland; há uma morte por afogamento cujos sobreviventes pouco parecem se importar; uma coadjuvante protagoniza um (inútil) banho de sangue, nua num box do banheiro; e há ainda seu interesse romântico, que morre afogado em uma rede cheia de corpos humanos. De bom, mesmo, é que a ambientação é boa e claustrofóbica - o navio, em si, de aspecto decrépito e coberto por crostas de ferrugem impressiona. Seus aposentos estão cheios de cadáveres e ossadas. O frigorifico, inteiramente habitado por corpos congelados no tempo. 

Nada que salve, contudo, o filme do mais perfeito tédio.


  


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