segunda-feira, 10 de março de 2014

Os últimos dias de Pompeia - 1959



Por Jason

A história da erupção do Vesúvio que destruiu a cidade de Pompeia já tinha se transformado em vários filmes conhecidos antes da estreia do mais novo, o horrível Pompeia, lançado recentemente. Os últimos dias de Pompeia, romance escrito pelo barão Edward Bulwer-Lytton em 1834, rendeu filmes homônimos em 1900, 1908, 1913, 1926, 1935 (este filme, produzido pela RKO não usou os personagens, apenas algumas sequências), a refilmagem de 1950 e esta de 1959, dirigida por Sergio Leone (não creditado). Se levarmos em consideração os filmes para a tv, incluindo uma minissérie de mesmo nome, lançada em 1984, podemos dizer que a cidade fadada ao desaparecimento por causa de um vulcão no ano de 79 d.C. é bastante popular. 

O  filme aqui em questão capta apenas alguns nomes de personagens e suas essências, dando a eles sentidos diferentes. Ele traz um centurião romano, Glauco, que rapidamente se apaixona por Ione e que, ao voltar para casa, e descobre que o seu pai foi assassinado por uma invasão de homens encapuzados, os quais saquearam a cidade de Pompeia e não pouparam nem mulheres nem crianças. As acusações recaem sobre os cristãos. Mais tarde, com a ajuda de um ladrão, Antonius, que acaba amigo de Glauco, descobre-se que é uma mulher da alta sociedade, Julia, a responsável por causar todas as mortes para incriminar os cristãos já que ela deseja vingança por algo que aconteceu com sua família anos atrás. Para tal, ela conta com a ajuda de um sacerdote, devoto de Isis. 

A produção tem Steve Reeves, ator e fisiculturista da época, inspiração para Arnold Schwazennegger (uma versão tão ruim quanto ele em cena) e se trata de uma co produção entre a Itália, Alemanha e Espanha. O heroi, aliás, é o típico do gênero, já que sobrevive a uma flechada, faz papel de Tarzan e luta com crocodilos e leões para salvar os pobres e oprimidos e sai ileso. Como se não bastasse, há a forte carga homoerótica, que inclui cenas de Steve coberto por um vestidinho curto, cinto dourado, cueca aparecendo, botas e pernas de fora saindo da água, exibindo suas formas físicas para causar suspiros na plateia feminina da época. Curiosamente, o filme está cheio de homens seminus, diálogos e olhares de duplo sentido entre os homens, amores heterossexuais inconsistentes e mulheres mais vestidas do que os personagens masculinos.

A trama ainda tem uma escrava cega cristã (que faz um contraponto de vista a respeito da fé cristã e a fé dos romanos, preste atenção) e o clímax se dá faltando apenas vinte minutos, quando os cristãos são levados para uma arena para serem comidos por leões. Ou seja, tudo é resolvido de maneira muito rápida (o mesmo pecado do filme atual sobre o tema). No momento que serão executados por atiradores de flechas, revela-se que o ladrão Antonius conseguiu, com a ajuda de outros, substituir o soldados antes de entrar na arena e evitar o massacre. Mas é tarde demais, já que o vulcão acaba explodindo e causando o pânico na cidade. E sim, o filme é feliz em reproduzir a destruição, afinal se trata de uma produção de 1959 mas ainda assim com sequências muito bem elaboradas e consistentes para a época - para não dizer mais dignas do que a produção atual.

Os últimos dias de Pompeia tem belos cenários e o esquema do roteiro, principalmente na parte final de vinte minutos, deve ter servido de inspiração para o diretor Paul W S Anderson e sua aventura fracassada Pompeia, já que a essência é a mesma, com a diferença que no passado não existiam as possibilidades trazidas pela computação gráfica. O personagem ladrão Antonius e Nídia, por exemplo, morrem soterrados nos escombros (assim como os pais da protagonista do filme de Paul). E, graças ao bom senso e o esforço em manter tudo o mais próximo da adaptação literária, não há nenhum tsunami: os sobreviventes aqui escapam da fúria do vulcão pelo mar. Para alívio dos cristãos, acusados injustamente de assassinatos - e do espectador, satisfeito com o resultado final.



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