segunda-feira, 17 de março de 2014

Philomena - 2013


Por Jason

Philomena traz a maravilhosa Judi Dench no papel do personagem título do filme, uma mulher que embarca numa odisseia pessoal para encontrar o seu filho perdido. Quando jovem, ela acabou cometendo o "pecado" de manter relações sexuais com um rapaz numa feira de uma pequena cidade da Irlanda. Grávida, sem pais e vivendo em um convento, Philomena, depois de um parto complicado, sem anestesia, em que o filho nasceu puxado pelos pés, ela é obrigada a deixa seu filho para adoção. Como punição pelo ato, trabalha na lavanderia do convento sem a permissão de ver constantemente o seu filho, fiscalizada de perto pelas freiras mercenárias que vendem as crianças para pais adotivos.

Um dia, um casal de americanos chega a Irlanda para levar uma menina, mas acaba adotando o seu filho, já que o menino não se desgrudava dela. Cinquenta anos depois, a determinada e lúcida senhora acaba descobrindo, com a ajuda de um jornalista recém desempregado que acaba se interessando pela sua história, que o filho foi levado para os EUA com a irmã adotiva, teve uma vida complicada com o pai adotivo rígido, mas com conforto - e faleceu muitos anos antes enquanto trabalhava nos bastidores da política americana (era homossexual e foi mais uma vítima da AIDS). Ignorando todos os fatos, os dois acabam indo mais fundo, descobrindo que o rapaz chegou a retornar a Irlanda, onde nasceu, tendo contato com o convento onde viveu e de onde partiu para adoção, atrás de conhecer mais sobre sua mãe antes de morrer, mas as freiras impediram o contato um do outro - e lá acabou sendo enterrado.

Indicado a quatro Oscar, o filme é baseado em fatos reais descritos no livro "O filho perdido de Philomena Lee", do jornalista Martin Sixsmith, de 2009, então correspondente da BBC e dirigido por Stephen Frears, diretor de A Rainha, que consegue transitar entre a comédia e o drama sem apelação e evitar dramalhão ou clicherias. A câmera de Frears confia na interação natural, magnética e precisa entre Dench e Steven Coogan, como se ele deixasse os dois à vontade para a composição de seus personagens. Os dois vão desenvolvendo uma relação de amizade gradual, tragando o espectador para o filme e isso garante metade do êxito do filme, já que os dois passam mais tempo em cena. É Dench, no entanto, que se sobressai nessa química.

Philomena é complexa e Dench traduz toda a complexidade do personagem, sua tristeza, dor e clareza mental, tirando o trabalho de letra e com uma naturalidade assustadora. É uma mulher simples, enfermeira aposentada, que gosta de ler romances e é um tanto ignorante, mas ainda assim esperta e imprevisível. Ao saber que o filho estava morto, opta por ficar e investigar mais sobre sua vida antes que o jornalista decida ou tente convencê-la a fazer isso. Ao descobrir que ele era homossexual, ela reage com total naturalidade quando os outros esperam o contrário, estando muito mais interessada e preocupada em saber se o seu filho sentia vontade de voltar para as suas raízes. Ao visitar o ex namorado do filho, vai bater na porta dele e expor o seu drama sem rodeios e sem se intimidar. Quando entende o que fizeram com ela e seu filho durante a juventude, assume sua parte de culpa, decide que o melhor é não publicar a história, só que muda de ideia porque, embora perdoe o que as freiras fizeram, sente necessidade de expor o caso ciente de que outras pessoas também passaram por isso.

Não é filme para agradar a maioria dos paladares. Sabe-se também que a participação da filha na jornada da mãe foi muito mais efetiva do que a mostrada no filme (personagens entram e saem sem ter muito o que fazer a não ser dar informações aos dois), mas o resultado não poderia ser mais interessante: a verdadeira Philomena criou com a filha, de outro casamento, um projeto que visa ter acesso aos documentos de adoção do país já que calcula-se que mais de 2000 irlandesas tiveram seus filhos retirados e mandados para adoção pela igreja. Embora não tenha encontrado seu filho vivo, Philomena concluiu sua busca - e acabou, assim, acertando suas contas com o passado.

Cotação: 4/5

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