terça-feira, 4 de março de 2014

Pompeia - 2014



Por Jason

O caso de Paul W S Anderson é grave. A cada filme, Paul se supera, se transformando num dos piores - se não o pior - diretor de todos os tempos, competindo pau a pau com gente como Michael Bay e Emmerich que, aqui, é emulado até o nível insuportável. Paul foi responsável por assassinar dois ícones da ficção (os vilões Alien e Predador) no pavoroso AVP, sepultando por tempo indeterminado a carreira dos dois nos cinemas. Mas foi mais longe em sua ânsia por aniquilar e destruir (ainda mais) com a franquia Resident Evil (uma patacoada que nem de longe lembra a importância e a força dos jogos em que são baseados). Pois bem, faltava também assassinar uma parte da história humana e Paul, cada vez mais discípulo de Roland Emmerich, vem conseguindo isso com efeito, para desespero da plateia desavisada pega desprevenida dessa bomba fracassada chamada Pompeia

É difícil entender como puderam dar cem milhões de dólares para uma pessoa que não consegue sequer administrar metade disso em uma produção de quinta categoria. Pompeia é um filme desastroso, estúpido, tolo, desnecessário, do tipo que custou cem milhões, mas parece saído da TV ao custo dez vezes menor. Se tudo se resumisse a pobreza técnica do que vemos na tela, menos mal. Sim, porque os efeitos são pobres, a iluminação é pobre, o figurino é do nível que a maioria dos canais de TV aberta hoje é capaz de reconstituir. Ou seja, mesmo que todo o resto da produção não agradasse, haveria chances de cativar o espectador com uma trama decente e interessante. O problema é que tudo em Pompeia é ruim, a começar pelo plot dessa porcaria, que conta a história de amor insossa entre Cassia, uma menina rica da sociedade de Pompeia, e o celta Milo, levado como escravo depois de ver seu povo ser dizimado e sua família assassinada - e que posteriormente vai parar nas arenas lutando como gladiador.

A menina, com os hormônios a flor da pele, logo que o vê já pensa em liberar geral, em um incidente tosco envolvendo seu cavalo. Mais tarde, ela vai ser prometida em sacrifício (sim, porque casar com o senador pé no saco de Kiefer Sutherland só pode ser isso) para livrar a barra da família, enquanto o senador tenta despachar o gladiador para o além. Nos bastidores da arena, Milo conhece outro fracassado que nem ele, que tem assunto a resolver com o capanga do senador. Uma trama palaciana e novelesca para ser desenvolvida em no mínimo duas horas e meia, que é condensada em pouco mais de uma hora e meia no roteiro feito a SEIS mãos. Não adianta vir com desculpa de que é um filme catástrofe (se todo filme catástrofe fosse desse calibre, Hollywood já tinha decretado falência) porque não significa necessariamente que precisa ser péssimo. É que não dá tempo de comprar a ideia e muito menos de engolir o romance ordinário que se arma, não só porque o roteiro faz o espectador torcer pra tudo ir pelos ares - bombardeado com tanto diálogo podre -, mas porque o time de atores não ajuda.

Emily Browning já larga na dianteira merecendo o prêmio de pior atriz do ano por ser incapaz de expressar qualquer tipo de emoção - nem quando vê os pais mortos. Inútil também é Kit Harington, seu par romântico e menos expressivo que o cavalo que ele monta. Os dois não tem química alguma e parecem no automático, sem sequer se darem conta do que estão fazendo (eles parecem ainda mais perdidos, com olhares vazios, nas cenas de efeitos especiais). Kiefer Sutherland é uma esculhambação e está claro que está ali pelo cheque. Jessica Lucas só fica melhor indo para o inferno, quando o chão a engole durante a destruição em uma cena constrangedora. Adewale Akinnuoye-Agbaje e Carrie Ann Moss parecem sequer saberem o que fazer: ele é vaporizado (e ninguém se importa) e ela, coitada, soterrada por escombros quando quase ninguém nem tinha notado sua presença em cena. Não deu tempo nem de reconhecer a nossa eterna Trinity. 

Os historiadores hoje sabem que a maioria dos habitantes de Pompeia foram assassinados silenciosamente. O vulcão limpou sua garganta, mandando na atmosfera uma nuvem de fumaça tóxica que envenenou o ar. O calor acabou cozinhando seus habitantes, pegos de maneira fulminante e os moradores, soterrados por metros de cinzas, ficaram congelados no tempo, em seus últimos instantes de agonia. A ação durou horas, mas foi o suficiente para manter preservada a cidade, escavada milênios depois com os corpos ainda em posições como estavam no momento em que morreram - o que faz do exuberante local um dos maiores e mais interessantes patrimônios da humanidade.  Nada que uma consulta ao Discovery, Nat Geo ou History Channel não explicassem em detalhes essa história por si só dramática e ao mesmo tempo fascinante.  

Nesse sentido, Paul e o time de produtores parecem ter confundido a pobre Pompeia com a mal fadada Atlântida (lembram dela?) e nesse apocalipse que se arma na cidade, o melhor personagem é, sem dúvidas, o vulcão. Disfarçado de bomba atômica e nave espacial, Vesúvio arrota fumaça, ruge que nem leão e ataca a cidade com disparos de verdadeiros meteoros altamente explosivos como se fossem misseis teleguiados de alguma fragata espacial de Star Warsfeitos para atacarem certeiramente o povo da cidade. É a versão anabolizada de O inferno de Dante, sem a mesma dignidade contudo. Juro que em determinado momento achei que Cronos, o vilão gigante de Fúria de Titãs 2, ia se levantar para sambar em cima da cidade, tamanha a histeria com que Paul arma sua destruição. Não contente com o que vê, Vesúvio convoca uns terremotos para ajudar na catástrofe e vaporiza a cidade numa nuvem de fogo tão absurda que fica difícil acreditar que sobrou alguma coisa no planeta Terra depois dela. 

Como se tivesse tomado aulas com Roland Emmerich em 2012, Paul transforma o simples desabamento de uma casa em um evento catastrófico, inventa até um tsunami na cidade com um plano parecido com o de Emmerich em seus filmes (e direito a barco no meio e tudo mais) e faz um espetáculo insosso, que não assusta, não impressiona, não desperta interesse. É como se o espectador já tivesse visto tudo isso antes, mais, maior e melhor, em outra freguesia. Aí, quando se pensava ter visto de tudo, vem a pá de cal no final - se não gosta de spoiler, paciência - com a morte dos dois protagonistas: mesmo sabendo que vai morrer, ela não quer ir embora, esperando debilmente para ver em 3D a nuvem de fumaça. Acabam, assim, congelados no tempo, cobertos pelas cinzas. Um momento tão ridículo para fazer com que o povo de Pompeia todo se revire no além.   
  
Cotação: 0/5

Um comentário:

  1. Concordo contigo véi...foi patético... historia fraca... um emaranhado de clichês...
    Vc ja viu o filme de 1959???? Podiam simplesmente pegar ele e refazer tim-tim por tim-tim com a tecnologia de hoje em dia... seria muito melhor....

    http://youtubefilmeclube.blogspot.com.br/2012/12/os-ultimos-dias-de-pompeia-1959-dublado.html

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