segunda-feira, 3 de março de 2014

Sem Escalas - 2014


Por Jason

A carreira de Liam Neeson tomou um revés a partir do momento em que ele passou a assumir papeis em filmes de ação de baixo a grande orçamento (Busca Implacável, Desconhecido, Battleship, Esquadrão Classe A, Fúria de Titãs) que não exigem muito de sua capacidade dramática e de seu talento. Pode parecer preguiça do ator, mas, curiosamente, Liam se mostrou um profissional lucrativo no ramo, como é o caso deste seu novo filme, Sem Escalas. Produzido ao custo de 50 milhões de dólares, o filme já recuperou o investido na bilheteria geral e estreou em primeiro lugar nos EUA. O ator, simpático na tela e talentoso, é o caso de profissional que agrega valor a produção, e encontrou um filão a ser explorado. Aqui vem acompanhado da sempre ótima presença de Juliane Moore, uma das melhores e mais confiantes atrizes de Hollywood.

Na trama, depois de embarcar num voo de Nova York para Londres, o agente aéreo Bill (Liam) começa a receber ameaças por telefone. O terrorista em questão ameaça matar uma pessoa a cada período, se não for depositado uma quantia de 150 milhões de dólares em sua conta. Começa então uma correria de Bill para desvendar o mistério dentro do avião, para saber quem é o autor das mensagens ameaçadoras, num ambiente fechado onde todo mundo é suspeito. Paralelo a isso, a imagem de Bill, no entanto, vai aos poucos se complicando diante dos passageiros, que passam a vê-lo como uma ameaça, já que ele esconde o jogo para descobrir quem é o terrorista. Pesa contra ele também o fato de que ele tem um passado de alcoolismo e de péssimo comportamento (ele é avisado pelo chefe de polícia em terra que o único que tem ficha suja no voo é ele mesmo). 

Bill desconfia de todo mundo, todo mundo desconfia dele e é o suspense que se cria dessa relação que prende o espectador do começo até o fim de Sem Escalas. Cada passageiro e tripulante, aliás, parece suspeito - da comissária de bordo à mulher que resolve sentar ao seu lado para ir na janela, interpretada por Moore, passando pelo copiloto, o que dá ao filme um clima de paranoia. O espectador não sabe se o policial está enlouquecendo (o diretor nos lembra que ele é problemático desde o começo do filme passando pelo momento em que ele bebe e fuma no banheiro do avião) e nem quem são aqueles que parecem realmente estar do lado dele. Nesse sentido, Jaume Collet Serra, o diretor de A órfã (e também do péssimo A casa de cera), consegue aqui talvez o resultado mais eficiente de sua carreira: fazer o espectador roer as unhas, tentando adivinhar quem é o inimigo e como o herói se sairá da situação.

Mas Sem Escalas sofre com a revelação dos vilões e é deste ponto em diante que a coisa degringola. Há o momento de dramalhão mexicano do personagem, expondo seus problemas pessoais aos passageiros para pedir ajuda e ganhar a confiança (confiança, como já vimos, é o tema central do roteiro). Sai o suspense e entra o clichê da bomba prestes a explodir no avião (!); entra o filme genérico de ação, com brigas previsíveis, avião caindo e os esforços do copiloto em pousá-lo, transformando tudo num filme destes que costumam passar frequentemente em sessões da tv aberta como o Supercine - incluindo os parcos efeitos especiais. O último ato do filme se resolve abruptamente, Julianne Moore é subaproveitada e a vencedora do Oscar Lupita Nyongo se resume a desfilar para lá e para cá com duas linhas de diálogos e sem nenhuma importância. 

Ao final, o melhor jeito de se apreciar o filme é desligando o cérebro e curtindo Liam Neeson que, sozinho, é maior que o filme e está em forma, aos 60 anos, como astro de filme de ação. 

Cotação: 3/5

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