sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Biblia: No início... - 1966



Por Jason

Em tempos de Noé nos cinemas, nos deparamos com esse filme de 1966, A Bíblia - No início, uma produção extravagante capitaneada pelo eterno produtor Dino Di Laurentis e dirigido por John Huston que foi um fracasso comercial. Nela, acompanhamos a criação do universo até a vida de Abraão, passando por Adão e Eva, Abel e Caim, Noé, a Torre de Babel e Sodoma e Gomorra. O filme traz os primeiros 22 capítulo do livro Genesis e o elenco é estelar: além de John Huston (como Noé), o filme traz George C Scott, Richard Harris, Peter O'Toole, a bela Ava Gardner e Franco Nero.

Datado, o filme vem no rastro final de uma leva de épicos religiosos que foram lançados no cinema nas década de 50 e começo da década de 60. As características desse gênero de filmes dessa época estão todas ali: duração massacrante (quase 3 horas), trilha sonora incisiva e quase ininterrupta (que foi premiada com o Oscar), efeitos especiais portentosos para a época, cenários grandiosos e atuações carregadas. É por essas e outras também que o filme é prejudicado por diversas vezes, principalmente pela narração em OFF que assim como a trilha não dá trégua, como se não conseguisse traduzir para o espectador o que há na tela em forma de imagens.

O segmento inicial vai até a tentação de Adão e Eva comendo o fruto proibido da árvore, recebendo seu castigo e dando a luz a Caim e Abel - são trinta minutos. É a primeira parte mais problemática e segunda mais arrastada da produção (só perde para a de Abraão). Em seguida, pulamos para a barbárie do primeiro assassinato, quando Caim mata Abel a cacetadas - em uma cena até crua para a época. Depois de dez minutos de interlúdio, entra em cena Noé (John Huston) e o filme traz um alívio tragicômico durante os próximos 40 minutos - bem como o fato de juntar todos aqueles animais dentro de uma arca sem a ajuda de computadores como nos filmes atuais, o que não deve ter sido uma tarefa nada fácil. Nas gerações dos filhos de Noé, chegamos a Torre de Babel onde Deus confunde o idioma de todos e pulamos em seguida para George C Scott (como Abraão), o fim de Sodoma e Gomorra. Abraão, com seu filho Isaac, conduz o filme até o final - o filme termina quando Deus impede o sacrifício de Isaac. 

Em termos de elenco e atuações, a história do homem teria problemas em ter um Adão e Eva como os mostrados no filme - eles atuam como zumbis. O Caim de Richard Harris é tratado como um esquizofrênico e necessitava de uma intervenção psiquiatra urgente, já que se contorce e age como um homem das cavernas. John Huston se sai melhor na tarefa, como um homem justo que precisa construir a Arca ao ser ordenado por Deus e tem um tom de comicidade quase involuntário. Ava Gardner é esforçada, Scott parece mais um bruxo com maquiagem carregada e Peter O'Toole, com seus faiscantes olhos azuis, é apenas coadjuvante de luxo. O excesso de personagens prejudica a desenvoltura da trama e muitas vezes não dá tempo para se apegar a eles (o segmento de Caim e Abel e o da Torre de Babel são os mais sentidos) ou sobra tempo para que nada aconteça (repare no segmento de Abraao, que se arrasta demais). 

O filme deve servir bem mais a estudiosos religiosos. Todas as passagens, aliás, dariam por si só grandes filmes (o novo Noé está aí para confirmar), mas ao condensar tudo em uma produção, virou uma sopa difícil de digerir.

Cotação: 2/5 

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