terça-feira, 22 de abril de 2014

Divergente - 2014



Por Jason

Na futurística e destruída Chicago, quando a adolescente Beatrice (Shailene Woodley) completa 16 anos ela tem que escolher entre as diferentes facções que a cidade, cercada do mundo atingido por uma guerra cem anos antes, está dividida. Elas são cinco, e cada uma representa um valor diferente, como honestidade, generosidade, coragem e outros. Antes disso, eles são obrigados a passar por um teste com uma droga. A droga demonstra que Beatrice é uma Divergente, porque se encaixa, na verdade, em vários grupos e isso pode ser uma ameaça aos eruditos que querem controlar o poder no lugar dos abnegados e bondosos. 

Posteriormente, na cerimônia de decisão, ela escolhe a facção dos destemidos, que é diferente da família, e tem que abandonar o lar. Dentro da facção, são criados verdadeiros soldados e ela tem ajuda de uma tatuadora (Maggie Q) que o instrui a manter o segredo. Quem não consegue passar nos testes é dispensado e se torna um "sem facção", como mendigos que não pertencem a lugar algum e vivem a margem da sociedade. Os divergentes, no entanto, são como erros do sistema, que devem ser caçados e eliminados - papel destinado a personagem de Kate Winslet. Para poder burlar o sistema, a menina tem que agir nos sonhos projetados pelas drogas como uma pessoa do seu grupo, para mostrar que não está acima da média e que é um divergente. Ao ser drogada para obedecerem os comandos dos eruditos e eliminarem os abnegados, que incluem sua mãe, precisa fingir novamente. Como visto, a temática do filme é interessante. O problema de Divergente, como filme, está no desenrolar a partir de sua metade e na superficialidade.  

O futuro é curioso, mas é superficial. O filme se concentra mais no treinamento do grupo do que no desenrolar do drama de Beatrice que poderia render mais e que, como sabemos, é uma adolescente deslocada, afastada do seu lar e de sua família (o drama familiar é de uma nulidade ímpar). Enrola-se um romance adolescente insosso entre Beatrice e outro personagem para agradar a plateia a qual foi destinado. Sim, ao contrário de produções como Jogos Vorazes que tentar ser mais abrangente, o filme parece destinado exclusivamente para este público só que nem ele parece ter comprado a ideia, já que não foi exatamente um sucesso. Há uma mistura desequilibrada que mais parece ter saído de A origem - os sonhos e pesadelos são mais movimentados que a realidade - e gente que não diz a que veio (Jai Courtney, Zoe Kravitz...).  

Por falar em A origem, aliás, a trilha sonora de Hans Zimmer é genérica e sem inspiração. Kate Winslet parece que está dando esmola para o filme, usando seu nome para atrair olhares. Sua sequência final envolvendo uma briga é constrangedora - o clímax do filme é ruim. Não resta muito para Ashley Judd fazer como a mãe da Beatrice, que depois de salvá-la da morte acaba morrendo um quarteirão depois (!) e isso vale para Tony Goldwin que faz seu pai e morre pouco depois em uma invasão (mal filmada). Por fim, a escolha de Shailene parece um tanto equivocada - a menina não é um desastre e pode render, mas falta a ela a presença de cena que Jennifer Lawrence, por exemplo, tem. O resultado é um passatempo leve, para o público adolescente. Mais que isso, o filme não entrega.  

Cotação: 1,5/5

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