sábado, 19 de abril de 2014

Joe - 2013



Por Jason

Joe Ransom (Nicolas Cage) é um ex presidiário afundado na bebida e amargurado com a vida, que trabalha em uma madeireira durante o dia enquanto vive em uma espelunca e se envolve com prostitutas. Durante seu período de trabalho, ele encontra com Gary (Tye Sheridan), um jovem de 15 anos, que procura trabalho desesperadamente para conseguir sustentar sua família. O menino tem bom coração e é esforçado, bom trabalhador e obediente. Mas seu pai, além de ser violento, é alcoólatra. A mãe é relapsa e descuidada e Joe, para completar, ainda tem uma irmã. Em virtude de uma peça do destino, Joe decide proteger e cuidar do menino, oferecendo-o um trabalho. 

O filme, baseado no livro Joe, de Larry Brown, tem uma indefectível cara de Super Cine, jeito de telefilme e muita superficialidade. Nunca entramos na vida de Joe, sabemos apenas pelo que ele conta que pegou mais de dois anos de cadeia por agressão a policial, o que pode ser um problema, dado que não conhecemos mais do seu passado e sem esse detalhe, o personagem parece flutuar sem que Nicolas Cage desapareça dentro dele. O ambiente do filme, no entanto, é o que transmite um pouco de veracidade: trata-se de um buraco no meio do nada nos EUA, lá no Texas, com trabalhadores desajustados em caminhonetes velhas e mulheres perdidas na vida. Cage se esforça - e pelo menos não parece preguiçoso como habitualmente está nos seus outros filmes, já que de cada trinta produções que ele faz, ele acerta uma. Mas é o pai violento do menino que se destaca e a história por trás dele que impressiona. 

Gary Poulter, que interpreta o pai alcoólatra, era um sem teto encontrado pela produção do filme. Era a autenticidade que o papel exigia por ter vivido coisas que nenhum ator de Hollywood no auge teria vivido. Gary, morador de rua, nunca tinha atuado em sua vida, mas é dele a maior carga dramática  e, sejamos sinceros, ele dá um show. Ele conseguiu passar toda a perturbação do personagem com soberba naturalidade desde o momento em que entra em cena e, revoltado pelo que o menino lhe diz, lhe dá um soco. O homem tem uma personalidade completamente desequilibrada, já que ele bate no filho para roubar o salário do garoto e quando o menino finalmente consegue realizar o sonho de ter uma velha caminhonete, é espancado e roubado. É um papel difícil, revoltante, que escapa do clichê pela força empregada pela pessoa por detrás do personagem, já que à medida que o filme avança, o homem passa a agredir o filho não só verbalmente, mas fisicamente, moralmente e psicologicamente, usando-o para obter dinheiro e sustentar o seu vício. No auge da loucura e degradação, ele mata um mendigo bêbado a cacetadas só para pegar a sua bebida. 

Dois meses depois de concluir o seu trabalho, Gary foi encontrado morto em um lago de Austin, no Texas. Dias antes, ele teria recebido atendimento médico por causa do alcoolismo - e a realidade estranhamente parece se misturar com a ficção, o que o torna sua sequência final no filme um tanto macabra. Sua vida poderia dar, sem dúvidas, um grande filme dramático, pois sabe-se que na adolescência Gary começou a ter problemas com álcool e com drogas, que destruíram sua vida pessoal, profissional, sua aparência e fez se afastar de sua família para sempre (ele tinha duas filhas). 

Na trama do filme, a mãe não protege o menino e arranja desculpas para o comportamento violento do velho. É o foco dessa relação família desajustada que desperta mais interesse no filme, já que a desculpa que a mãe dá ao filho é que "a família dele é tudo o que ele tem"o espectador sabe que ele não tem uma família - e é aqui que o personagem de Cage entra, como a figura de um pai para o garoto. Isso não isenta os filmes dos problemas que saltam às vistas. Em determinado momento, o filme envolve a irmã do menino, vendida pelo alcoólatra para uma sessão de sexo no fundo da picape comprada pelo menino - justamente ela, que passou batida o filme todo. Além dela, há uma série de personagens que não se desenvolvem ou pouco tem a fazer na tela.

Mais: um grupo de homens, aliás, surge atrás do garoto por causa de uma briga e já não tem muita simpatia por Joe. Há assim a clicheria do herói desajustado que encontra a redenção e serve de lição para o menino, mesmo Joe não sendo a pessoa mais adequada para servir de modelo. Sem falar em cenas como aquela em que ele mesmo faz uma cirurgia para retirar uma bala do ombro quando atingido em uma troca de tiros. Ruim de aguentar também é Tye Sheridan, que nunca convence, tanto quanto o tiroteio final e a resolução fraca - para nenhuma novela mexicana botar defeito.

Cotação: 2/5 

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