quarta-feira, 2 de abril de 2014

Pearl Harbor - 2001



Por Jason

Em 7 de dezembro de 1941, os japoneses organizaram uma ofensiva contra a base de Pearl Harbor, onde se encontrava uma poderosa armada da Marinha e Aeronáutica norte americana, incluindo os encouraçados Arizona, Califórnia e West Virginia. O primeiro foi torpedeado e, carregado de munição e combustível, voou pelos ares - dizem que chegou a subir metros acima da linha d'água tamanha a força da explosão - matando mais de 1000 pessoas quase que instantaneamente. No total, nesse ataque furtivo, quase 2500 americanos pereceram nas águas rasas da baía. No dia seguinte ao ataque, os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial com tudo, com uma declaração assinada pelo então presidente Franklin Roosevelt (representado aqui por Jon Voight) que dado o choque chega a se levantar de sua cadeira de rodas e que resultaria no chamado Ataque Doolittle, um bombardeamento dos EUA contra os japoneses organizado pelo  Tenente-Coronel James Harold Doolittle (aqui, interpretado pelo canastrão, Alec Baldwin).

Até que se chegue a esse mote principal do filme, o espectador precisa suportar a trama xoxa de Pearl Harbor, baseada na vida de dois pilotos que se conheciam desde a infância, Rafe McCawley (Ben Affleck) e Danny Walker (Josh Hartnett). Ambos se alistam no exército, treinam como pilotos de caça, e conhecem a enfermeira Evelyn (Kate Beckinsale). Rafe e Evelyn iniciam um romance. Com a guerra na Europa, Rafe se voluntaria para lutar juntamente com a Royal Air Force na Batalha da Inglaterra para defender o Reino Unido da Luftwaffe, insistindo para que seu amigo Danny ficasse nos Estados Unidos, cuidando de sua amada Evelyn (o que ele, amigo da onça, prontamente faz mais tarde, engravidando-a). Tanto Evelyn como Danny são transferidos para o Havaí, e Evelyn recebe a notícia de que o avião do chifrudo Rafe foi abatido e considerado morto em combate. Após algum tempo, Evelyn e Danny inciam um romance, e do nada, Rafe reaparece porque tinha sobrevivido a queda. Mais tarde, grávida de Danny, ela descobre que ele morre na revanche dos EUA contra os japoneses ao caírem em solo chinês - morre por ser burro e por uma ação idiota do amigo Rafe que acaba vitimando-o - e ela e Rafe resolvem dar ao menino o nome do pai biológico. 

É nas cenas de combate, justiça seja feita, que o filme se sobressai, principalmente na reconstituição do bombardeio. Do momento em que se iniciam os ataques para o final, o espectador é bombardeado com tudo o que os efeitos especiais espetaculares da ILM podem fazer dentro de uma produção desse calibre. É um festival de explosões, chuva de bala para todos os lados, corpos voando, voos rasantes, enormes navios afundando e o mais perto do que se pode reproduzir de um conflito armado como esse. O que não isenta o fato de que a primeira parte de Pearl Harbor é um desastre proporcional ao bombardeio sofrido pelos americanos. 

Mesmo com ares de produção caprichada de 140 milhões dólares, com figurinos e ótima reconstituição de época, é difícil digerir o romance sem química dos personagens e a trilha sonora açucarada de Hans Zimmer, que não dá trégua. Toda vez que o romance cheio de doce entra em cena, sobe a trilha sonora repetitiva e massacrante. Os vícios de Bay na direção também já estão ali presentes, gritando na cara do espectador. Trilha sonora pesada e edificante, já do começo, patriotismo (os japoneses são vendidos como vilões estereotipados com direito a música tenebrosa e o filme ainda embute uma revanche do povo americano, com direito a bandeira americana tremulando), muito pôr-do-sol (são quatro ou cinco em menos de uma hora), efeitos especiais, clicheria e câmera lenta.

A edição do filme, uma marca de um dos piores diretores da atualidade, é picotada mas eficiente no momento dos combates e o filme traz muito, mas muito barulho com justiça (razão pela qual ganhou o Oscar de efeitos sonoros). Como filme de romance contudo, Pearl Harbor, vendido como um Titanic na época - só que sem Celine Dion na canção tema - é um tédio. O trio principal de atores é ordinário e beira o ridículo, para não dizer constrangedor as sequências envolvendo romance entre Ben, Josh e Kate. Há outros no elenco que se saem melhor, como Dan Akroyd e Cuba Gooding Jr. Este, cuja carreira não decolou, reproduz na tela o cozinheiro Doris Miller, que assumiu uma metralhadora antiaérea dupla de 50mm e começou a disparar até acabar a munição, derrubando vários aviões japoneses. Por fim, há outros que não tem muito o que fazer a não serem desperdiçados, como Jennifer Garner, Tom Sizemore e Michael Shannon - que não apresenta nem sombra do seu potencial cênico. 

É de fazer os mortos na batalha se revirarem no além.

Cotação: 2/5

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