sexta-feira, 2 de maio de 2014

A condenação - 2010



Por Jason

A trama do interessante "A condenação" é inspirada em um fato absurdo e real. No começo da década de 80, uma mulher foi assassinada brutalmente a punhaladas no interior do estado de Massachusetts. Kenny (Sam Rockwell) irmão de Betty (Hilary Swank) é preso como suspeito da morte da mulher. No tribunal, é chamado para depor duas ex namoradas sem nenhuma credibilidade - uma delas, mãe de sua filha -, que o acusam de agressão física e de assumir o crime. O julgamento rapidamente culpa Kenny de assassinato, condenando-o a prisão perpétua (se fosse em outro estado, com pena de morte, Kenny rapidamente seria condenado a morte).

Os motivos por ser acusado tão rapidamente estava no próprio histórico de vida Kenny. Os irmãos tiveram uma família disfuncional. Ambos passavam por lares adotivos e o menino tinha um perfil de irresponsabilidade, diferente da irmã. O rapaz cresceu arranjando problemas com a polícia e com a vizinhança, o que o faria, aos olhos da justiça, uma pessoa capaz de assassinar outra. A mãe deles era relapsa, completamente descuidada, o pai ausente. Durante o julgamento, foi apresentada uma prova que dizia que o tipo de sangue de Kenny batia com o encontrado na cena do crime, embora não existissem testes de DNA que comprovassem. 

Betty cresceu, casou, teve dois filhos  e estava determinada a provar a inocência do irmão pelo forte vínculo que ela possuía com ele - ninguém seria capaz de conhecê-lo mais do que ela, afinal os dois passavam bastante tempo juntos. Acreditando puramente nesse instinto, Betty vai atrás de estudos. Se matricula em uma faculdade de Direito em sua ânsia para provar que o irmão é inocente, e se forma, passando nos testes. Arruinou sua vida - o marido se separou por não aguentar a dedicação em tempo integral da mulher por uma coisa que não poderia dar em nada e os filhos com ele foram morar. Ela teve apoio de uma amiga da sala de aula, que o ajudou no trabalho de reabrir o processo e estudar o caso, além de recuperar as provas do assassinato. Betty conseguiu livrar o irmão da cadeia através de um teste de DNA com o apoio de um advogado que estava trabalhando no projeto Inocência, que visava reabrir casos e testar provas usando o DNA e que comprovou que o sangue do agressor não pertencia a Kenny. Mas o destino trágico bateria a sua porta seis meses depois. Kenny foi encontrado morto quando caiu de um muro de quatro metros e meio de altura, fraturando o crânio.

O filme é dirigido por Tony Goldwyn (o rival de Patrick Swaze em Ghost) e é feito de maneira convencional. A narrativa é prejudicada em certos momentos por não ser linear, por momentos clichês ao som de uma trilha sonora feita em piano como convém ao tipo de filme, voltando no tempo várias vezes no começo, para delinear o perfil de Kenny e da irmã. Dito isso, o filme se sustenta nas interpretações do bom elenco, de Hilary Swank, Sam Rockwell a Minnie Driver. Hilary, a oscarizada atriz que não soube o que fazer com sua carreira depois de dois prêmios da Academia, transmite seriedade à produção e uma boa química com Minnie. Traz também Juliette Lewis, que fica em cena pouco tempo mas faz um ótimo trabalho, como uma mulher que depõe contra Kenny no tribunal dizendo que ele confessou o crime a ela e quase duas décadas depois, destruída pelas drogas e perturbada mentalmente, se arrepende por ter arruinado a vida de uma pessoa inocente. E Melissa Leo, no papel da policial Nancy, que usou e abusou de pressão psicológica contra as testemunhas, para colocar Kenny na cadeia por motivos que não ficam claros durante o filme e escapou ao final de um processo. 

O caso em si levanta considerações a respeito do falho sistema judiciário norte americano, principalmente quando os letreiros finais avisam que muitas pessoas, condenadas por crimes, foram soltas porque os testes de DNA ajudaram a provar que a justiça estava errada e que elas eram inocentes. Tem-se, então, uma ideia da quantidade de pessoas que podem ter morrido na cadeia esperando por algo que nunca viria ou foram condenados a morte sem provas suficientes e incontestáveis que fossem capazes de culpá-las. Pior que isso é saber que, se o sistema judiciário não é perfeito, o sistema carcerário não só de países subdesenvolvidos como de desenvolvidos não corresponde aos anseios da ansiedade, capazes de fabricarem inocentes em criminosos por uma questão de sobrevivência.   

"A condenação" contudonão levanta estes questionamentos nem vai a fundo, se resumindo a contar os fatos com cara de série ou telefilme sob a ótica de Betty. Uma pena que um tema tão polêmico e interessante tenha rendido um filme apenas morno.

Cotação: 2/5

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