sábado, 24 de maio de 2014

A vida e morte de Peter Sellers - 2004



Por Jason

Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme para a TV e de Melhor Ator em 2005, o filme trata da vida pessoa e profissional do ator Peter Sellers, famoso pelo filme Doutor Fantástico e A pantera cor de rosa. Antes de se tornar um sucesso na carreira do cinema, o filme, baseado no livro homônimo de Roger Lewis, conta que o ator foi rejeitado para trabalhos na televisão e cinema por não ser bonito e aconselhado a continuar com suas apresentações no rádio da BBC onde começou e se tornou popular. 

A mãe de Sellers era dominadora, controlava o filho mesmo depois de velho. Casado e pai de um menino, à medida que subia na carreira, conseguindo papeis ao lado de estrelas como Sophia Loren - com quem flertou e nada conseguiu -, sua vida pessoal ia se arruinando sem que sua esposa nada pudesse fazer. Peter é mostrado no filme como sendo um infantil, que não levava a sério o relacionamento e a vida do casal que não tinha uma vida "normal". Dava indícios de que perdia sua identidade para os seus personagens, de maneira que era impossível saber se ele estava representando um deles em seus relacionamentos ou não.

No estrelato, Sellers levava uma vida se envolvendo com um monte de mulheres e acabava ignorando outras coisas, como o próprio pai, que morreu aos seus olhos, e o seu próprio filho. Sellers viria a trabalhar com Stanley Kubrick em Lolita e posteriormente em Doutor Fantástico, pelo qual ganharia indicação ao Oscar interpretando três personagens diferentes. No meio do filme, surge Charlize Theron, como a bela atriz sueca Britt Ekland, interesse amoroso de Sellers que se torna sua segunda esposa - e uma mulher desmiolada. A relação dos dois, também regada a droga, é destinada ao fracasso e por fim a violência doméstica após a morte da mãe de Sellers. Sellers descobre que tem problemas cardíacos, que inclusive o levaram a sucessivas paradas cardíacas até a sua morte aos 54 anos, pelo mesmo motivo

O filme, feito pela HBO e BBC e dirigido por Stephen Hopkins (o mesmo diretor, acreditem, de Predador 2) acerta ao trazer Geoffrey Rush, um ator incrivelmente capaz de transformações assustadoras e de se diluir dentro de personagens, no papel de Peter Sellers. Rush some na pele do personagem num trabalho impecável. Acerta também no elenco sólido, que inclui Stephen Fry, a talentosa Emily Watson, o ótimo John Lithgow, e a deusa Charlize Theron dentre outros. Mas erra na mesma proporção, contudo, ao dar saltos maiores que as pernas no roteiro. As coisas avançam muito rápido e uma sucessão de pessoas e acontecimentos que vão aparecendo e saindo da trama, sem que o espectador sinta nem a presença nem a ausência delas. O mais problemático é talvez Kubrick, que surge na tela na pele de um apático Stanley Tucci, como um personagem sem vida e completamente superficial. Os efeitos especiais não convencem e até a trilha sonora é bagunçada (do nada vem, por exemplo, Garota de Ipanema, no momento da paixão de Sellers pela sua futura segunda esposa). Sem falar no ritmo problemático e na falta de profundidade - tudo parece tão superficial que deixa de ser crível ao espectador e Rush, ator maiúsculo, precisa segurar tudo carregando o filme nas costas até o final.

Cotação: 2/5

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