quinta-feira, 8 de maio de 2014

Grey Gardens - 2009



Por Jason

Com 17 indicações ao Emmy, tendo levado nas categorias Melhor Filme Feito para TV, Melhor Atriz em Filme ou Minissérie (Jessica Lange) e Melhor Ator Coadjuvante em Filmes ou Minissérie (Ken Howard), vencedor de 2 Globos de Ouro, e baseado em fatos, Grey Gardens traz Drew Barrymore e Jessica Lange nos papeis de Edith e Edie Bouvier Beale. Nos anos 30, as duas primas de Jacqueline Kennedy moravam em uma mansão cheia de empregados e levavam uma vida de luxo, mas foram a falência e passaram a viver no meio do lixo da mansão decadente até serem descobertas para um documentário.

Edith gostava de cantar e dançar, além de dar festas em casa para a alta sociedade da época, enquanto o marido trabalhava para pagar as contas exorbitantes a fim de manter o luxo da mansão. A mulher também não queria abrir mão de nada, nem queria apenas um marido, que segundo ela tinha um caso com a secretária, mas um homem que superasse suas expectativas como pai - ela tinha dois outros filhos. Ele não consegue sustentar as extravagâncias e se separa, deixando uma pensão mínima de 150 dólares e a mansão do título para Edith, a Grey Gardens. Edith tinha abandonado seus sonhos para ser esposa, estava flertando com o professor de piano e mimando Edie, sem querer que a menina saísse de casa, fosse atrás do seu próprio futuro e caminhasse com as próprias pernas. 

O marido desejava que a filha Edie encontrasse um homem para casar e tivesse uma situação financeira confortável. O problema era que Edie não ficava em nenhum emprego e tinha o sonho de ser atriz e dançarina, inspirada na mãe, chegando até a abandoná-la para ir atrás da fama. Em Nova York, Edie se transforma em amante, se envolvendo com um homem casado (Daniel Baldwin), o que faz sua mãe entregar a situação para o pai dela, que dá um fim em tudo, fazendo-a voltar para a mansão. Edie começa a ter crises nervosas e estressantes, o que vai fazendo seu cabelo cair até ficar completamente careca. Paralelo a isso, os irmãos tentam fazer com que ela e a mãe se mudem para uma casa mais em conta e se livrem da mansão, já que não possuem condições de reformar a casa. A mãe se recusa. A situação das duas é surreal. A mansão se torna um verdadeiro depósito de lixo, pois nenhuma das duas presam a limpeza da casa, permitindo que animais que vão de gatos e cachorros a guaxinins se acumulem, além de latas enormes de comidas para bichos amontoadas em tudo que é canto, o que desperta a atenção da vigilância sanitária. Quando a prima rica Jaqueline Kennedy soube do acontecido, reformou toda a casa e deu roupas novas as mulheres. Após a morte da mãe, um ano depois da estreia do filme, Edie se mudou, vendendo a mansão e falecendo em 2002 aos 84 anos.

Jessica Lange e Drew Barrymore estão perfeitas no papel. A Edith de Lange vai de uma mulher que parece viver fora da realidade a outra que sofre de transtorno obsessivo compulsivo sem sequer se dar conta. Além de ter se tornado amarga, Edie se transformou em uma acumuladora compulsiva, juntando todo lixo possível em sua casa decrépita (Lange aparece carregada de maquiagem para deixá-la mais velha), sendo incapaz de se livrar do entulho para ter o mínimo de higiene. Isolou-se socialmente, passa o dia todo sentada, acumulou dívidas exageradas e um monte de velharias, que inclui livros, revistas, latas de comida de gato, coisas quebradas e obsoletas. Ela se alimentava de sorvete porque não cozinhava, e estava presa a memórias do passado as quais não conseguia se libertar. Em contrapartida, a Drew de Edie é uma menina mimada, imatura, sonhadora, que é criada para arranjar um bom partido apenas e viver de luxo, mas a menina não consegue se desvencilhar da influência e neurose de sua mãe, o que acaba a deixando doente. 

As duas demonstram total interação e química em cena, o que garante sustento de todo o filme, além da reconstituição do cenário, que faz o filme, apesar de ser feito para a televisão, um trabalho digno da tela grande do cinema - vemos aos poucos, em diversas fases, o ambiente se degradando e, mesmo depois da reforma, as duas continuam juntando tralhas dentro da casa. Os únicos poréns seriam, primeiro, a falta de melhor entendimento do roteiro em torno dos irmãos de Edie - que somem da trama sem nenhuma explicação; uma maior profundidade no que diz respeito ao pai de Edie, cujo relacionamento não é suficientemente explorado; e o vai e vem do roteiro, que se alterna repentinamente entre duas épocas desnecessariamente, transformando a narrativa em algo não linear. O resultado, contudo, compensa os deslizes.

Cotação: 4,5/5 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...