quarta-feira, 7 de maio de 2014

Hoje eu quero voltar sozinho (2014)




Por Lady Rá

Hoje eu quero voltar sozinho nos apresenta a história de Leo (Guilherme Lobo), um adolescente que está passando, como todos os jovens de sua idade, aquela fase de incertezas e descobertas. Mas Leo tem uma condição que torna esse momento um pouco mais complicado do que para os demais: ele é cego. Não que o jovem viva pelos cantos lamentando sua deficiência visual, pelo contrário, ele lida muito bem com ela. O problema é a super proteção da família, o que faz com que Leo se sinta sufocado. Como qualquer jovem, Leo quer ter liberdade, quer viver sua vida intensamente, e principalmente, quer viver um grande amor. Porém Leo nunca beijou alguém e acha que isso talvez nunca vá acontecer.



Com uma vida rotineira, tudo na vida do rapaz é milimetricamente organizado, desde a mobília do seu quarto as suas atividades diárias. Leo tem uma única amiga, Geovanna (Tess Amorim), que sempre o acompanha e ouve suas confidências. Tudo começa a mudar com a chegada de um novo aluno na escola, Gabriel (Fábio Audi). A presença de Gabriel, não só mexe com o coração de Leo, como também desestabiliza sua amizade com Geovana, até então sua única amiga e confidente.


O interessante do longa do diretor e roteirista Daniel Ribeiro é como aborda a homossexualidade de forma natural e delicada. De forma que, quando Leo se descobre apaixonado, em momento algum ele sofre problemas de aceitação. Estar apaixonado pelo colega de classe é um fato, seus conflitos se baseiam mais na dúvida sobre os sentimentos de Gabriel. O que se torna ainda mais difícil devido à sua cegueira, pois ele jamais pode observar quaisquer sinais.


O longa é baseado no curta Não quero voltar sozinho, do mesmo diretor e com o mesmo elenco principal. Se o curta era delicado e fofo, o longa ganha mais profundidade e maturidade, incluindo alguns conflitos que vão além do que é apresentado no original, mas ainda mantendo sua delicadeza. O filme é tocante sem jamais escorregar para o melodrama barato, graças a qualidade do roteiro e direção. O elenco está afinado, desde os atores centrais aos secundários. Percebe-se uma incrível química entre os protagonistas. Guilherme Lobo compõe seu Leo de forma tão crível, que por vezes é possível acreditar que o rapaz seja realmente deficiente visual. Da mesma forma Fábio Audi convence como um jovem que, aparentemente tem tudo sob controle, mas por vezes mostra-se mais fragilizado que o próprio Leo. E Tess Amorim traz graça e leveza com sua espirituosa Geovana.

Hoje eu quero voltar sozinho, mais do que um filme sobre jovens descobrindo sua sexualidade, é um belo filme sobre jovens descobrindo o amor.

Nota: 5/5

TRAILER


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