sábado, 17 de maio de 2014

Krakatoa, o inferno de java (1969)



Por Jason

Indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Especiais, o filme começa mostrando que há algo de errado na ilha de Krakatoa, quando um grupo de freiras cantando com seus alunos é atormentado pelo barulho do vulcão limpando sua garganta. Em seguida, somos apresentados ao capitão Hanson (Maximilian Schell, péssimo), que está embarcando com um grupo em busca de um tesouro nas proximidades da ilha.  Há uma desconfiança em relação a existência ou não desse tesouro, afinal ele foi indicado por uma mulher, Laura, que conhecia o navio naufragado, se separou do marido, passou um ano em um hospício e tem um caso mal resolvido com o capitão. Os integrantes do grupo incluem um jovem, Leoncavallo  (Sal Mineo), seu pai, e uma mergulhadora oriental, Toshi.

O embarque já começa com um acidente, que vitima um dos tripulantes ao despencar do guindaste que leva uma espécie de sino submarino para exploração (mas como não é importante um acidente de trabalho e ninguém conhece o falecido, ninguém se preocupa). Com o passar do tempo, coisas estranhas começam a acontecer enquanto o navio navega em direção a ilha, como uma revoada de gaivotas desorientadas, explosões em alto-mar, um som violento ensurdecedor que ninguém sabe de onde vem e muitos peixes mortos no mar. Como todo filme do gênero, um dos personagens avisa dos riscos da Krakatoa, que nas palavras dele é um barril de pólvora prestes a explodir. Para completar, há os dilemas da própria tripulação, com alcoólatra tentando atacar uma das mulheres. Graças a uma reviravolta, o navio é tomado de assalto e a tripulação rendida, mas rapidamente tomada de novo. 

Ao chegar no local, descobrem um livro com anotações e uma carta destinada a Laura, que teve o filho tirado pelo marido - ela está na verdade em busca do filho e o roteiro usa o mote do tesouro para isso. O vulcão explode, cuspindo pedras enormes de fogo no navio e causando um incêndio que a tripulação tenta conter a todo custo enquanto o capitão tenta tirar a embarcação da área. São as melhores sequências do filme, mais pelos efeitos indicados ao Oscar do que pela forma como a direção explora o evento e o drama dos personagens presos naquele inferno. Por fim, as crianças do começo do filme são salvas em um barco - e isso inclui o filho de Laura -, mas correm perigo porque, devido a explosão vulcânica, o barco em que eles estão está afundando e sofrerão as consequências da erupção, com uma tempestade em alto mar e um tsunami destruindo a ilha. Cabe ao herói, o capitão, dar um jeito nisso.  

São vários os problemas da produção. Há um excesso de personagens desinteressantes e desnecessários.  A trilha sonora parece não casar com o filme e a primeira parte é arrastada, com direito a um número musical constrangedor protagonizado por uma das personagens na beira da cama. Na segunda, muita coisa acontece na tela, uma atrás da outra: o sino com o mergulhador tem problemas dentro do mar (reparem que ele mergulha como se estivesse indo a um jantar), o jovem e seu pai protagonizam uma sequência bizarra envolvendo um balão, que é atraído para dentro do vulcão e depois cuspido de lá, onde todos observam como se estivessem achando tudo bonito. Do elenco, aliás, ninguém se destaca. Todos estão caricatos e você percebe que tem algo errado no filme quando uma das melhores cenas é aquela em que Toshi, a mergulhadora, é morta quando uma pedra gigante em chamas cai em cima dela. Uma pena que o vulcão não tenha matado todo mundo, ao menos para evitar um final tão fraco.

Cotação: 1,5/5 


Um comentário:

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...