sexta-feira, 23 de maio de 2014

Minha adorável lavanderia - 1985



Por Jason

O filme traz a história do paquistanês Omar, que é contratado pelo tio Salim para lavar carros. No começo, Omar demonstra timidez, mas na verdade esconde suas ambições que o levam a fazer parte dos negócios sujos do tio. O pai não quer que Omar se envolva demais, quer apenas que ele vá para universidade para que tenha um futuro - e se case com uma mulher, de preferência a Tânia, sua sobrinha. Outro dos tios de Omar, Nasser, faz com que o menino seja uma mula - Nasser é traficante, de onde tira a sua riqueza. Esperto e ambicioso, Omar recebe uma lavanderia de Salim que lhe deu oportunidade de trabalhar e receber por isso - e que mantém um caso com uma amante que todos na família sabem que existe -, descobre o esquema de tráfico e passa a atuar nele, com a ajuda do amigo Johnny, de onde tiram o dinheiro para reerguerem a lavandaria. 

Omar conhecia Johnny desde os cinco anos de idade. De início, o relacionamento dos dois não fica claro, deixando apenas salientado que Johnny parece um nômade, um punk baderneiro que não quer nada com a vida, indo de um lugar para o outro e perdendo contato com Omar. O que ninguém sabe é que Omar e Johnny são namorados e estão apaixonados um pelo outro, mas a relação entre eles nunca se sabe se corresponde a sentimento verdadeiro ou se é por puro interesse - de Omar, porque sabe que Johnny pode ajudar nos negócios e o quer ver trabalhando para ele, para se vingar do passado em que sofria bullyng na escola, ou de Johnny, que quer ter uma vida que nunca teve. 

Paira sobre os personagens, aliás, o fantasma do governo de Margaret Thatcher. Durante a década de 80, houve uma recaída na produção industrial inglesa e um aumento no desemprego e uma recessão econômica e social.  Ao ser reerguida, a lavanderia passa ser um tipo de lugar fantástico, inovador, uma fantasia, onde o casal se realiza e se sente vitorioso por sair da sombra da escória dos imigrantes e das gangues para algo luminoso de destaque. Aquele é o território dos dois, ambos tão distintos em suas culturas, mas ligados por um sentimento de dependência entre si: ao ser chamado para ir embora dali por Tânia, Johnny responde que não conseguiria ficar longe de Omar. Mais tarde, após uma confusão com a gangue de arruaceiros da qual fazia parte, Johnny decide ir embora, mas volta atrás. A lavanderia é onde os dois se sentem seguros para viverem tranquilos - e a cena final, com os dois se ensaboando como crianças, pode parecer incompleta e abrupta, mas sintetiza tudo o que o lugar representa para eles. 

Do elenco, ninguém se destaca, mas ninguém compromete. Daniel Day Lewis parecia não dar nenhuma demonstração do ator impressionante que seria ao se transmutar e um doente com paralisia cerebral de Meu pé esquerdo quatro anos mais tarde, embora se entregue completamente às cenas de beijo e sexo homossexual com naturalidade. A direção mistura um humor negro com drama, mas sem muito se aprofundar em nada, o que compromete o saldo final. O filme, aliás, é como uma mistura numa máquina de lavar: embute romance, preconceito social, questões políticas, fantasia e comédia num tom que beira o absurdo, sem se decidir - e graças a ele, Stephen Frears ganhou sua projeção internacional. 

Cotação: 3,5/5

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