sábado, 31 de maio de 2014

O dia em que a Terra se incendiou - 1961


Por Jason

Estranhos acontecimentos com a Terra chamam a atenção da população e de diversos jornalistas do Daily Express, na Inglaterra. Começa com tremores em alguns lugares, que são atribuídos a testes nucleares. Mais tarde, a coisa começa a se agravar com manchas solares, eclipses lunares repentinos e inundações em diversos lugares como o Egito e a Austrália, além de chuvas que duram dez dias em lugares que antes sofriam com a seca. A temperatura começa aumentar substancialmente na Inglaterra e a população começa a se ver em um período de calor intenso inexplicável. 

Os repórteres Bill e Peter tentam arrancar das autoridades cientificas uma explicação, sem contudo conseguirem. Quando Peter começa a se relacionar com a secretária Jeannie, ele descobre que os testes nucleares - um pela então União Soviética, ocorrido no polo norte, e outro pelos EUA, ocorrido no polo sul - criaram uma situação em que a órbita da Terra foi alterada e agora ela se aproxima do sol. Quando a névoa parece ser o maior dos problemas, a cidade é atingida por uma tempestade caótica e começa a faltar água, criando confusões nos habitantes, que saem nas ruas acabando com tudo. Em determinado momento, quando o caos já se instalou, as potências mundiais abandonam os testes, forçando os cientistas descobrirem uma forma de reverterem o que as suas atitudes estúpidas provocaram.  A solução é detonar novas bombas, para consertar o erro (!) e devolver a Terra ao seu eixo orbital normal: quando a Terra já está praticamente pegando fogo e, dentro de dezenove minutos, as bombas serão detonadas, o filme retorna ao seu começo, quando a fotografia se torna avermelhada novamente e os atores, todos molhados de tanto calor, aguardam pela detonação das bombas.

O filme foi rodado em preto e branco, mas traz sequências realizadas com um filtro vermelho tanto no começo quanto na reta final, que transforma a Terra numa atmosfera inóspita marciana, uma boa sacada da produção (que é lembrada por quem já viu justamente por essas cenas). Os efeitos especiais, claro, envelheceram amargamente, e incluem uma sequência em que a água do rio vira vapor e se transforma em uma névoa na cidade para mais  tarde virar uma terrível tempestade que ganha os jornais como um grande ciclone. Por ser em preto e branco, as cenas envolvendo a névoa deixam quase impossíveis de se ver a ação, mas ajudam a cobrir os efeitos especiais empobrecidos. 

Val Guest, o diretor do clássico da Hammer, O Abominável Homem das Neves, Cassino Royale, de 1967 e no indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Especiais Quando os Dinossauros Dominavam a Terra (1970), faz um filme vigoroso, movimentado, que perde o ritmo e o controle no segundo ato, quando fica um tanto desinteressante - o ponto do romance é o mais baixo - recuperando a força perto do final. O final, aliás, é pessimista e corajoso, desesperançoso num grau sufocante. A produção também não desenvolve melhor o pânico do mundo, resumindo a cenas de incêndios e inundações rápidas, sem dar uma real dimensão da escala do problema globalizado. O roteiro entretanto, vencedor do Bafta, é ainda o grande trunfo do filme, já que este traz interpretações sem destaques mas trata a situação com seriedade - e o mais interessante é que sua temática continua sendo atual. É um grito contra o armamento nuclear e mostra as consequências, mesmo que fictícias, do descuido das nações com relação ao impacto ambiental que isso pode causar. 

Cotação: 2,5/5

Clássico britânico sobre o fim do mundo, que envelheceu mal, mas continua tendo uma abordagem atual, séria e interessante. Merecia uma refilmagem.

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