terça-feira, 27 de maio de 2014

O monstro do mar revolto - 1955



Por Jason

A ponte Golden Gate, destruída pelo
polvo gigante...
O monstro do mar revolto é mais um exemplar de ficção da produtiva década de 50, trazendo mais um monstro terrível ameaçando a humanidade, desta vez um polvo gigante radioativo. A trama começa com um capitão de um submarino nuclear, Pete, que é atacado por algo no Pacífico. Após uma manobra para se soltarem, eles descobrem que uma substância ficou grudada na fuselagem do submarino. De volta a terra firme, eles convocam especialistas em biologia marinha, John Carter e Lesley Joyce para analisarem a coisa. Depois de treze dias de estudos, eles descobrem que se trata de um polvo gigante. Segundo as explicações dos doutores, a criatura vive nas profundezas abissais, mas está atrás de alimento, já que ele emite radioatividade e os peixes que serviriam de alimento se afastam rapidamente ao detectarem sua presença, obrigando-o a caçar em águas rasas.

...ressurge intacta momentos depois
Os militares, claro, levam a notícia com ceticismo escancarado. Mais tarde, um navio é engolido no meio do mar pela criatura. Os sobreviventes resgatados num bote inicialmente negam o que aconteceu, fazendo com que Joyce use de uma artimanha para conseguir a confissão de um deles, que afirma que um polvo gigante atacou e afundou o navio. Começa uma correria atrás do rastro da criatura, até que ela, encurralada, invade a baía de São Francisco destruindo a ponte Golden Gate - uma das cenas mais famosas do cinema - e invade a cidade com seus tentáculos. O exército, se usando de lança-chamas, expulsa a criatura de volta para o mar, onde ela é atacada por torpedos, não sem antes agarrar o submarino e forçar os homens a enfrentá-la no mano a mano, até ser desintegrada numa explosão. 



O monstro do mar revolto reflete bem o clima social da década de 50, pós bomba atômica e um período de Guerra Fria entre EUA e a então União Soviética. Não a toa, o monstro é produto de testes nucleares, assim como outros bastante conhecidos do cinema dessa época - como o lagarto de monstro do mar, de 1953 ou o próprio Godzilla, do mesmo ano. A fórmula do filme, aliás, seria muito comum naquela década, seja com monstros gigantes saídos do fundo do mar ou comunistas disfarçados de alienígenas. O diferencial aqui é que traz nos efeitos especiais o mago do Stop Motion Ray Harryhausen. A Columbia Pictures tinha liberado um orçamento apertado e, mesmo assim, Ray conseguiu imprimir a sua marca no filme, bastante lembrado pelos fãs do seu trabalho. Graças a Ray, o filme também apresentou aquele que seria um dos monumentos mais destruídos do cinema - a Ponte Golden Gate, palco de uma cena massiva de destruição em filmes como XMEN O confronto final (2006), O planeta dos macacos - a origem (2011), Pacific Rim (2013);  de um salvamento de um ônibus escolar em Superman (1978); uma referência a produções de monstros como em Monstros vs Aliens (2009), além de Godzilla (2014).

Figurantes rindo e correndo do polvo:
mais divertido impossível!
O filme é compacto - 1h e 20 min - e tem bom desenvolvimento. Claro que se trata de um filme que envelheceu muito e possui falhas de continuidade - a ponte, por exemplo, é destruída e o tráfego interrompido, mas quando o monstro ataca a cidade a vemos ao fundo, funcionando plenamente; erros de efeitos especiais - o próprio polvo teve que ser construído apenas com seis braços em virtude do baixo orçamento; figurantes que ao invés de fazerem expressões de pânico, correm rindo para a câmera e um romance insosso e desinteressante que em nada faz a trama avançar. Nada que lhe tire a aura de clássico B de ficção imperdível.


Cotação: 3/5   

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...