sábado, 17 de maio de 2014

Godzilla (2014)



Por Lady Rá

Há uma boa intenção dos realizadores de Godzilla em apostar em um filme que mantenha o foco nos dramas humanos, diante de uma iminente destruição da nossa espécie. E, a princípio, o filme parece acertar: primeiro com uma ótima introdução que mostra várias notícias relacionadas a testes nucleares, o que logo atiça a curiosidade do público. Posteriormente somos envolvidos pelo drama do engenheiro Joe Brody, que em 1999 perde sua esposa (Juliette Binoche, numa rápida participação) num acidente em uma usina nuclear japonesa que está sob sua responsabilidade. Já nessa época, Joe desconfiava do real motivo das atividades sísmicas na região, porém com o acidente, ele perde tudo.

Quinze anos depois, Joe se tornou um homem obsessivo por provar que o que causou o acidente foi algo que estava além de seu controle ou de qualquer outra pessoa. É aí que entra o filho crescido de Joe, Ford Brody (Aaron Taylor Johnson), de quem Joe está afastado. Quando o pai é preso no Japão, o jovem tenente, especialista em desarmar bombas, que acabara de voltar para casa, depois de 14 meses longe da esposa e do filho, é obrigado a viajar até o país para retirá-lo da cadeia. Ford então terá que lidar com a obsessão do pai pelo passado, algo que ele tenta esquecer-se de todas as maneiras. Porém, esse passado vem a tona materializado em forma de enormes monstros, literalmente falando. E Ford, que só quer voltar para sua família, se vê envolvido numa luta pela salvação da humanidade e para reencontrar sua família. E é aqui que a história desanda.

Enquanto o fator humano é defendido pelo Joe de Bryan Cranston, com sua obsessão por respostas, o filme parece interessante, mas quando o bastão é passado ao fraquíssimo Aaron Taylor Johnson, fica difícil se interessar pela produção. Mas a culpa não é só dele, pois o roteiro não se esforça minimamente em desenvolver seus personagens de maneira que possamos nos envolver e nos importar com eles. Se Ford já é desinteressante, mais apagada ainda está sua esposa Elle (Elizabeth Olsen). Não há uma cena entre o casal que valha a pena. E o draminha de família de comercial de margarina que está separada não comove. É um clichê desnecessário que poderia perfeitamente ser extirpado do roteiro, sem que isso prejudicasse a narrativa. Quanto ao restante do elenco, Sally Hawkins é totalmente desperdiçada num papel sem graça de uma cientista que está ali apenas para explicar fatos sobre os monstros e Ken Watanabe, faz o que pode na pele de um personagem que apenas diz coisas óbvias que ficam claras ao fim da projeção, de forma que o público poderia tirar suas próprias conclusões. No fim das contas, o único personagem humano interessante, no qual o filme poderia focar e por quem o público se interessaria, foi descartado precocemente pelo roteiro, cedendo lugar a um herói completamente desinteressante. Não bastasse o mau desenvolvimento de personagens, o roteiro ainda peca em criar situações desnecessárias e forçar coincidências para justificar a injustificável presença de Ford como protagonista.

Mas há também pontos positivos, o fato de não revelar o monstro logo de cara, é um acerto. O diretor Gareth Edwards consegue criar certa tensão, causando ansiedade pela aparição do monstro, o que torna a experiência de acompanhar a jornada do insosso protagonista menos desgostosa. Além disso, o clima soturno estabelecido pela boa direção de Edwards, com ajuda da fotografia, em certos momentos remete ao aspecto caótico de Guerra dos Mundos de Steve Spielberg. Contando ainda com o apoio de uma ótima trilha sonora de Alexandre Desplat, que em determinadas notas parece evocar o estilo de John Willians e até mesmo Ennio Morricone.

Além disso, Edwards conduz com muita precisão as cenas de ação e destruição. Não há uma ação desenfreada ao estilo Michael Bay ou uma quebradeira infernal como acontece em Homem de Aço. Há uma bela e angustiante cena em que vários soldados saltam de pára-quedas para resgatar uma ogiva que poderia matar milhares de pessoas, no local que será o palco do confronto final entre os monstros. E quando eles finalmente se enfrentam e Godzilla surge com toda sua glória, a câmera se movimenta com sutileza, mostrando todos os aspectos de uma luta quase melancólica, mas ao mesmo tempo espetacular, e nesse momento nós torcemos pelo Rei dos Monstros.


No fim das contas, esse novo Godzilla (o monstro) soa mais como uma força da natureza, da qual, nós humanos, estamos toda a mercê. Quanto ao filme, é cheio de boas intenções, mas a narrativa mal conduzida se perde pelo caminho, cabendo ao Rei dos Monstros, salvar a nós, o público, nos momentos finais, quando (quase) tudo parecia perdido.

Trailer


4 comentários:

  1. Olha, Tia, estava tão ansioso por esse filme quanto a senhora, e bem...
    Eu gostei. Realmente, o casal protagonista é meio apagadinho, a Elisabeth Olsen parece que tá só de objeto de adorno por lá... mas eu gostei até do Aaron, fez um herói bacana (muito embora o pai do personagem tenha sido muuuuuuuito melhor).
    Mas enfim, tirando isso, no restante eu adorei. A parte visual ficou muito animal, o Godzilla com aquela aparência tradicional ficou super 10 e a trilha sonora, muito marcante e bem utilizada, na minha opinião.
    Assisti em 2D aqui na minha cidade e estou seriamente pensando em ir até uma metrópole vizinha só pra ver o barraco novamente em 3D.
    E agora, fica a pergunta.... será que tem continuação...?????

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    Respostas
    1. Já anunciaram que há planos de continuação, eu só espero que mantenham o diretor e troquem os roteiristas e o os atores (podem deixar o Ken Watanabe). Pra mim o personagem do Aaron não passa de um herói clichê, sem graça e se vc pensar beeemm, não tinha necessidade dele na operação, rsrs.

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  2. É... o tal personagem militar americano, honesto e incorruptível, acaba sendo um saco dependendo do filme. Mas pelo menos nesse aí não teve (ou se teve, eu nem lembrei) o tradicional e horroroso discurso patriótico exaltando os EUA como o país mais poderoso do universo (vide Independence Day e outras podreiras, hehehehe).
    E desculpe a confusão, escrevi para a Tia Rá, mas ignorei que a publicação foi da Lady. Grande abraço!!

    PS: e a Tia Rá, que tava ansiosa pelo Gojira, o que achou????

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    Respostas
    1. Tia Rá tá pobre, juntando moedinha pra X-men, rsrs. Mas em breve ela dará as sapatadas (ou não) em Gojira.

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