sábado, 3 de maio de 2014

Um dia desses - 2012



Por Jason

A trama do filme é baseada num caso verídico ocorrido nos anos 70. Rudy, uma Drag Queen que se apresenta em um bar gay, conhece Paul, um promotor divorciado durante uma noite de shows. Não tarda para os dois praticarem sexo oral dentro do carro e começarem uma relação amorosa. Rudy vive numa espelunca, está com aluguel atrasado e pronto para ser despejado. É vizinho de uma mulher drogada e relapsa que tem um filho com síndrome de down. A mulher é presa e o menino abandonado. Rudy acaba se preocupando com o menino e tenta ficar com ele, para evitar que ele seja encaminhado para um abrigo e lá seja esquecido. 

São vários, porém os problemas. Enquanto Rudy é assumido, Paul não é e tenta a todo custo esconder sua sexualidade. Paul acaba levando os dois para morarem com ele, mas não assume a relação, apresentando Rudy como seu primo. A justiça não concederá a guarda do menino para uma Drag Queen, o que força Rudy a procurar outro emprego. Para completar, Paul acaba sendo demitido ao descobrirem sobre sua sexualidade e o menino é levado para o orfanato. A grande questão, todos sabem - e que é exposta por Paul em pleno tribunal -, é que ninguém adotará uma criança baixa, gorda, feia e com deficiência mental e o menino ficará sem um lar para sempre, sem poder estudar e desenvolver suas capacidades e habilidades já que é visto pelos médicos como um inválido. O foco da acusação no tribunal é a vida homossexual do casal, que segundo ela pode levar a um prejuízo no desenvolvimento do garoto e na sua condição sexual. 

Alan Cumming, o Noturno de XMEN 2, e o mais conhecido do elenco, se defende bem no papel, é esforçado, embora sua aparência como Drag Queen chegue perto de uma extrema bizarrice. Garret Dillahunt, de Looper, e 12 Anos de Escravidão, que faz Paul, tem parcos talentos dramáticos, mas não chega a comprometer o filme, assim como o resto do elenco. Há ainda a participação de Frances Fisher (a mãe de Rose, de Titanic) como a juíza que não concede a guarda ao casal e parece não ter clareza suficiente para lidar com a situação. O maior problema do filme é apelar para a clicheria, com música de piano ao fundo em sequências inúmeras, cenas de apresentações musicais dubladas mal elaboradas e arrastadas demais além de forçadas, falta de profundidade e foco no relacionamento do casal (tudo acontece bem rápido) bem como as cenas clichês de briga de tribunal. 

Tem cara de telefilme, mas é sensível e eficiente, sem dúvidas, em expor os tropeços pelo qual o casal passa em busca de uma decisão e a discriminação da justiça para um tema ainda atual que é a adoção de crianças por casais homossexuais, com o agravante aqui de que o menino tem síndrome de down. No jogo dessa justiça incompetente, que não consegue enxergar as possibilidades de uma vida melhor para a criança, quem paga é o menino, pois a mãe drogada da criança é solta para reaver sua guarda - anunciando uma tragédia que o casal nada pode fazer para impedir.

Cotação: 2,5/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...