domingo, 1 de junho de 2014

A inocente face do terror - The other - 1972



Por Jason

A inocente face do terror é um filme que se assiste sem esperar muita coisa e, embora o filme não supere as expectativas, tem momentos que impressionam e surpreendem o espectador. O filme começa focando na relação de dois garotos irmãos gêmeos - Niles e Holland. Niles é a cara da bondade, é muito querido por todos e muito gentil. Já Holland começa a demonstrar sinais de psicopatia desde cedo, fazendo brincadeiras sinistras que irritam os vizinhos e os familiares, como uma velha senhora vizinha que vê os seus vidros de conservas serem quebrados e o lugar tomado por ratos, bichos que ela tem pavor. 

Contudo, isso ainda parece brincadeira de criança travessa e família vai relevando uma série de coisas. Paralelo a isso, a mãe dos gêmeos está em estado de choque continuo e não sai de casa devido a presença de um poço na porta de casa que lhe traz uma estranha amargura. O pai dos meninos está morto e Niles recebeu de Holland um anel da família que foi passado para este pouco depois do pai morrer e que ele mantém escondido. A situação de Niles começa a complicar quando um amiguinho é morto aparentemente de maneira acidental no celeiro, empalado ao pular de um andar. Mais tarde, a velha vizinha das conservas morre de ataque cardíaco ao ter um susto por causa de Holland, que, num número de mágica aparentemente inofensivo, lhe atirou sobre ela um rato. Mais tarde, em uma conversa, a mãe de Niles descobre que o anel que vem passando de gerações a gerações está em sua posse. Ao ser perguntado sobre como ele achou o anel, Niles responde que foi um presente de Holland. A mãe se desespera e tenta tomar o anel do menino, ao que Holland, ao surgir, a empurra de uma escada, deixando-a em uma cadeira de rodas. Uma das mulheres da família, a velha Ada (a atriz Uta Hagen, famosa e premiada no teatro), começa a suspeitar de algo está acontecendo de errado com os meninos. 

É neste ponto que o filme tem uma revelação surpreendente - pule para o próximo paragrafo quem nunca viu esse filme. Ada o leva para uma sepultura, que mostra que Holland, na verdade está morto: em uma acidente, presenciado por Niles, Holland caiu no poço defronte a casa, razão do trauma da mãe. O menino, esquizofrênico, passou a assumir a identidade do outro, cometendo os crimes. No dia do enterro, arrancou o dedo com o anel de Holland e passou a vê-lo e a escutá-lo como se ele estivesse vivo. Com a chegada de um bebê na família, que Niles já tinha previsto ser uma menina, tudo parece que se resolverá. Ao ver a criança desaparecer e ser encontrada afogada em um barril de bebida - numa das cenas mais fortes do filme - Ada não vê alternativa a não ser matar o garoto, mesmo que para isso tenha que se sacrificar. O problema é que o menino consegue escapar...    

Histórias de crianças psicopatas não são novidades nem na vida real nem nos cinemas e muitas são conhecidas do público, como as crianças de A Aldeia dos Amaldiçoados (1960), o garoto demoníaco de A profecia (1976), as crianças bizarras de Colheita Maldita (1984), o assassino Macaulay Culkin de Anjo Malvado (1993), Precisamos falar sobre o Kevin (2011), dentre outras. São sempre retratadas como crianças fofas, com aparência acima de qualquer suspeita, que escondem um lado tenebroso. O filme aqui em questão ganha pontos por esconder ao máximo a revelação, sem que o espectador possa imaginar a real situação do protagonista e os motivos que o levaram a ficar nessa condição. Também é eficiente no sentido de mostrar que Niles não nasceu ruim, ele se tornou, e sua personalidade ruim foi alimentada indiretamente por Ada que, na tentativa de amenizar o sofrimento do menino, criava brincadeiras e jogos para ele que o ajudaram a se tornar um monstro sem que ela quisesse.

A produção é dirigida por Robert Mulligan, que dirigiu No mundo da lua, a estreia de Reese Witherspoon nos cinemas em 1991, Houve uma vez uma verão, de 1971, indicado a 4 Oscars e Tudo bem no ano que vem, com Ellen Burstyn, de 1978, também indicado a 4 Oscars. Mulligan revela mão boa para momentos bizarros como o do sumiço da criança e a descoberta de seu cadáver - todo o terceiro ato aliás é certeiro, - mas escorrega no ritmo enfadonho dos dois primeiros atos, lento demais, nos atributos um tanto paranormais de Niles exercitados por Ada e no fato de revelar o segredo antes do tempo, fazendo com que vem a seguir acabe perdendo o seu impacto.

Cotação: 2,5/5  

2 comentários:

  1. Assisti hoje. Concordo bem com suas palavras. O ritmo inicial é lento, mas a história surpreende na segunda metade.

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