terça-feira, 10 de junho de 2014

Boy A - 2007



Por Jason

Baseado na obra homônima do escritor Jonathan Trigell, o tema de Boy A é interessante. Ele nos mostra um garoto, Jack, que é maltratado pelos amigos na escola, sofrendo bullyng e ignorado pelo pai e pela mãe que está doente. Ao se envolver com outro mais violento, sua relação vai desembocar em um assassinato. O menino vai para a cadeia e agora, aos vinte anos (papel de Andrew Garfield), onze anos depois do ocorrido, está em processo de readaptação. Apoiado por um mentor, Terry, ele é empregado, muda de cidade e de identidade, arranja uma namorada e passa a se enturmar, mas o fantasma do assassinato ainda está presente em sua vida. Ao descobrirem sobre o seu passado de assassino, ele é demitido e passa a ser perseguido pela sociedade. 

Paralelo a isso, Terry, que arruma a vida de Jack, também tem problemas dentro de sua casa. Seu filho acabou de voltar a viver com ele e parece não saber aproveitar a vida. Terry na verdade foi um pai relapso e seu filho quer que Jack apodreça pagando pelo que cometeu porque, ao final das contas, a tentativa de salvar Jack acabou com a vida pessoal de Terry. A namorada de Jack, Michelle, descobre tudo quando os jornais espalham a notícia e Jack começa a fugir. Fica implícito que Jack foi coagido a matar uma criança e, farto, salvou uma menina que teria o mesmo destino. Depressivo e sem ter para onde ir, seu destino provavelmente foi o de tirar a própria vida (o filme acaba nesse ponto).

A produção nos remete ao caso de assassinato de James Bulger em 1993 na Inglaterra. James, uma criança de três anos, foi raptada por outras duas de dez anos, Jon Venables e Robert Thompson e morto com requintes de sadismo e crueldade só vistos nos maiores psicopatas - foi espancado até a morte com pedras e uma barra de ferro de dez quilos, com o corpo abandonado numa linha de trem para que fosse cortado ao meio. Thompson e Venables foram culpados pelo crime, mas a polícia acabou identificando durante o processo que um deles seria o mandante. Durante a condenação, os rapazes foram referidos como A e B (daí o nome do filme, Boy A). Os dois assassinos foram liberados, e hoje vivem com novas identidades, sem poderem ter contato um com outro. 

O filme falha terrivelmente ao levantar alguma discussão em torno da figura da criança psicopata e o quanto o papel da família seria importante na condução de uma criança com esse problema sério. O problema é que ele se foca no momento posterior, o da reinserção no meio social e desnuda os seus maiores problemas: enquanto se mantém nos flashbacks, o filme parece mais intrigante e interessante. Ao mostrar o rapaz já adulto, Andrew Garfield não consegue segurar o filme nem tem estofo dramático para conduzir a trama, fazendo cara de nada a maioria do tempo e tendo crises de choro em que fica se espremendo. Apesar da temática poderosa, o filme desce num limbo que ninguém é capaz de tirar, caindo no marasmo e em personagens que pouco despertam o interesse como a namorada Michele e os amigos, todos unidimensionais. 

Mais interessante, por exemplo, se torna a trama de Terry, cuja vida foi desestruturada e o pai, capaz de ajudar outro, não é capaz de perceber o que está acontecendo de errado com o filho. O resultado disso tudo é um assunto interessante e uma trama de potencial atirados pela janela. 

Cotação: 2/5

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