quarta-feira, 11 de junho de 2014

Inverno de sangue em Veneza - 1973



Por Jason

Dos filmes que me recomendaram assistir nessa vida, este é um dos que mais me decepcionaram. Sabe aquele filme em que se cria certa expectativa e o filme não atende? Então, este é um deles. O filme é baseado em um conto e traz Donald Sutherland e Julie Christie como Laura e John, um casal que perde a filha Christine, morta em um lago perto de casa. 

casal decide passar um tempo longe e parte para Veneza, para ocupar a mente com outras coisas como o trabalho de restaurador de John. Num restaurante em Veneza, uma mulher cega e médium diz para Laura que Christine estava bem e muito sorridente e que Laura não tinha com o que se preocupar com ela. Ao contar os detalhes, Laura se convence que a mulher não é uma golpista. Passa-se um tempo, até que John, de passagem durante uma noite num beco iluminado, vê aparentemente uma criança correndo com a mesma roupa que sua filha estava quando morreu e, embora se assustasse com isso, ignora a visão. Por coincidência ou não, alguns assassinatos estão ocorrendo na cidade. Laura reencontra a mulher cega e interpreta isso como uma tentativa de Christine em contactar os pais. A médium então avisa que John corre perigo enquanto permanecer em Veneza. Dito isso, Laura tenta fazer de tudo para convencer o marido a partir dali, mas ele, cético, não acredita que algo possa acontecer. 

No dia seguinte, eles recebem uma chamada telefônica da escola do outro filho, que avisa que o menino sofreu um pequeno acidente. Ela parte para ficar com ele, enquanto John começa a vivenciar situações estranhas: quase cai de uma plataforma, no trabalho; ele acredita que Laura ainda está em Veneza - que mais tarde se revelará uma visão de um futuro -; vê o que parece ser sua filha correndo pelos becos e vielas mal iluminados da cidade e dá sinais de que está pirando. John dá queixa na delegacia e a velha vidente é presa sob acusação de ter sumido com a mulher dele, mas eis que ela reaparece, numa ligação da Inglaterra, combinando seu retorno a Veneza para com ele se encontrar. Num desencontro, John leva a velha para casa e, ao sair de lá, persegue a menina vestida de vermelho, até descobrir da pior forma que ela não é uma menina e sim uma bizarra anã assassina. 

A parte boa disso tudo são as conexões que o filme faz à medida que ele passa, misturando o presente dos personagens com visões do passado e do futuro. John não sabe - e o espectador só vai saber ao final - mas ele próprio carrega visões e não sabe interpretá-las. O final do filme se conecta com o seu começo, onde o destino de John já havia sido traçado. Por outro lado, a velha cega e médium é uma das peças mais bizarras no quebra-cabeça que envolve o casal. Ela traz paz a Laura, que consegue através dela aceitar a morte da filha, mas ao mesmo tempo provoca uma perturbação inexplicável no espectador e em John - seus acessos paranormais são no mínimo bizarros. Outro ponto a favor é a própria Veneza, situada pela câmera como um lugar cheio de cantos escuros, passagens estreitas e cercada de água por todos os lados - John volta e meia encara a água com medo, enquanto flashes da filha morta atordoam sua visão. Quando o filme raramente aposta nesse clima, acerta em cheio. O problema é que ele erra em todo o resto.

O ritmo é enfadonho, sonolento, quase parando e no primeiro ato, há momentos em que nada acontece. Ao encontrar a velha no restaurante, Laura muda a sua postura diante do luto mas cria uma situação estranha onde o espectador não consegue se conectar com ela - é mais fácil com John. Sem esse peso dramático, a personagem soa superficial. Apesar da entrega dos dois atores e da química, como na cena de sexo do casal, a própria perda da menina não é sentida - o roteiro parece não se preocupar muito em fazer isso, já que a parte dramática é xoxa - e tudo flutua vagarosamente até o final. Esqueça a trama policial de quinta categoria, a parte criminal é só pincelada para uma conexão nas últimas cenas - mas deixa o espectador sentindo falta de algo mais trabalhado nesse quesito. Só resta se apegar a melhor personagem da trama - a velha cega paranormal - e torcer para que ela continue dando seus surtos videntes e seus espasmos bizarros descontrolados.

Cotação: 2,5/5 

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