sábado, 28 de junho de 2014

Mandela - O caminho para liberdade - 2013



Por Jason

O filme Mandela conta a vida do líder africano e uma das maiores e mais influentes personalidades políticas do século XX, desde quando era criança até a vida adulta, passando pelos horrores da prisão. De antemão, é importante lembrar que o filme não procura pintar Mandela como sendo um santo. Quando jovem, Mandela era mulherengo, deixou uma mulher, Evelyn, com filhos nas costas sem suporte, a qual reclamava que ele não dava as crianças a devida atenção. Estudou, advogou em favor dos negros e na década de 50, passou a lutar contra a segregação racial africana, mobilizando a população negra. 

Em virtude de sua liderança, ganhou ares de terrorista e líder rebelde contra o governo e escapou de uma pena de morte, sendo condenado a prisão pelo resto da vida, situação que só seria revertida com o apoio da esposa Winnie Mandela (que mais tarde, acabaria se tornando um problema em sua vida pessoal) e da população mundial 27 anos depois, quando foi libertado. Na época de atuação política de Mandela, os negros eram humilhados de todas as formas e viviam em um regime cruel separatista - no ano de 1949, o governo aprovou o regime legal segregacionista, chamado de apartheid. Eram mortos, fossem mulheres, homens ou crianças. Já na década de 90, foi ele uma peça importante na reestruturação de um país fragmentado quando o mundo clamava por sua liberdade, se tornando o primeiro presidente .  

A produção recria todas essas passagens, não só de sua vida como também dá devido destaque a participação de Winnie no movimento contra o Apartheid de maneira mais radical, sem esconder que Winnie foi humilhada, presa, espancada, e também comeu o pão que o diabo nem quis amassar nas mãos do governo e dos brancos. Seus filhos não podiam ver o pai e o filme deixa claro que todos, para o bem ou para o mal, mesmo que os interesses entre Mandela e ela fossem conflituosos, lutaram para mudar o panorama do país. A produção traz boa reconstituição de época e de fatos, mas ainda não foi dessa vez que Mandela ganhou uma cinebiografia a altura de sua importância histórica.

A direção é sem vigor e frouxa, o que faz com que o espectador passe pelo martírio de mais de duas horas como se assistisse a um cansativo novelão interminável. Idris Elba se esforça no papel, mas acaba prejudicado, na medida que seu personagem envelhece, pela maquiagem pobre. Soa caricato e é ator que pode render muito mais do que o visto aqui. A bela e talentosa Naomie Harris se sai um pouco melhor no papel de Winnie mas ambos, embora competentes, são traídos pela montagem e pelo roteiro moroso do filme - e tudo isso pode ter sido a razão pela qual os Weinstein, famosos por emplacarem seus filmes nas premiações do Oscar com suas campanhas agressivas, não conseguiram o mesmo efeito aqui. Serve, contudo, como bom documento histórico e para compreender o importante papel político, social, jurídico e histórico de Nelson Mandela para a humanidade. 

Cotação: 2,5/5

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