quarta-feira, 18 de junho de 2014

Muito mais que um crime - 1989




Por Jason

No filme, Jessica Lange interpreta a advogada bem sucedida Ann. Ann recebe a notícia que seu pai pode ser extraditado dos EUA para ser julgado na Hungria por crimes contra a humanidade, que supostamente teriam sido cometidos durante a Segunda Guerra quando foi oficial nazista. O pai quer a filha faça a defesa e, embora relutante e desconhecendo o assunto, Ann é pressionada pelo irmão a defendê-lo. Para entender sobre tudo, Ann vai atrás de ajuda. A versão do pai é de que ele não participou dos crimes.

A coisa se agrava quando a mídia o identifica e começa a cair sobre ele, acusando de mentiroso, exigindo sua extradição e seu julgamento pelos crimes de Guerra. Quando o julgamento começa, Ann é direta e agressiva, muito eficiente, e a vitória no tribunal parece certa. O problema começa a surgir quando ela passa a ouvir os depoimentos das testemunhas durante o tribunal, e começa a perceber que o pai pode não ser tão inocente quanto diz. As testemunhas não hesitam em acusar de ser o criminoso conhecido por "Mishka", líder do grupo "Cruz Seta" (fascistas húngaros) que colaboravam com os nazistas e perseguiam os judeus, ciganos, comunistas e simpatizantes, cometendo diversas atrocidades contra as pessoas que caiam em seu poder. De uma família que foi executada a um paciente terminal que diz conhecer o acusado, passando por uma mulher que o acusava de estupro, todos depõem contra ele. Nesse sentido, o filme é eficiente em plantar a dúvida na cabeça do espectador, já que a advogada faz um trabalho excelente na defesa. O processo é encerrado por falta de provas, já que a acusação só tinha um visto de entrada e permanência falso que o próprio acusado havia admitido existir. Para seu desespero, no entanto, uma caixa de música - daí o título original, Music Box - acaba revelando a verdade que ela se recusava a enxergar. 

O filme traz um show de interpretação de Jessica Lange, pelo qual foi indicada ao Globo de Ouro e ao Oscar. Uma das melhores atrizes de sua geração, Jessica tem aqui um grande momento da carreira, trabalhando com a direção de Costa Gravas. Ann vai de uma mulher segura e orgulhosa para uma mulher cheia de dúvidas que não sabe o que fazer quando a situação realmente começa a sinalizar que as acusações contra o seu pai são verdadeiras. Paralelo a isso, o filme levanta questionamentos a respeito do quanto é possível ou não conhecer a fundo uma pessoa que está muito próxima de nós - e muitas vezes uma caixa de música revela muito mais sobre o passado delas do que poderíamos imaginar. Não é filme fácil, é um filme de tribunal, que pode não agradar a todo mundo, demora a passar, mas que se sustenta até o final na brilhante atuação de Lange.

Cotação: 4/5

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