domingo, 22 de junho de 2014

Nebraska - 2013




Por Jason

David tem uma família desajustada. O pai Woody, um veterano da Guerra da Coreia, está com sinais de demência e tem um histórico de alcoolismo. A mãe, neurótica, quer que ele vá para um asilo. O irmão de David, Ross, é incompreensivo com a situação. O pai vive fugindo de casa e caminhando sozinho para o nada. Ele quer ir a Lincoln porque ele recebeu uma carta avisando que está milionário e precisa pegar o dinheiro. O filho decide facilitar as coisas, mesmo sabendo que não é verdade, pega o carro e parte com o velho. 

No meio do caminho, fazem uma visita inesperada a um casal de tios velhos, cujos filhos são outros desajustados com passagem pela polícia. O velho espalha que está milionário, o que acaba causando a maior confusão para David. A mãe pega um ônibus e parte atrás dos dois. Uma vez lá, apresenta o filho para a família do pai - estão praticamente todos mortos - e em seguida, o irmão de David, Ross, chega. Os dois começam a ser pressionados pela família, que alega que o pai deve dinheiro a todo mundo e todo mundo está interessado nessa quantia para receber pelas loucuras que o pai fez no passado.

Essa jornada, simples, em preto e branco e por paisagens desoladas, leva a família a se unir de uma forma como nunca aconteceu anteriormente - uma união, aliás, improvável. David descobre coisas que nem sabia sobre o pai, como o fato de ele ser soldado de Guerra que voltou mudado depois do conflito, além de saber mais sobre sua própria história, como num acerto de contas com o passado. Entende que por trás daquele homem teimoso, há alguém que ainda sonha e almeja algo que a sua saúde e o seu trabalho não puderam mais dar. Na cena em que David lhe pergunta o motivo de querer tanto o dinheiro, Woody responde que é apenas para comprar uma caminhonete nova e um compressor, o seu sonho, e deixar algo para os filhos.

É nesse sentido que entra o roteiro habilidoso e o elenco afiado do filme, que o transforma em uma história que parecia fadada a tristeza em uma grande realização de um homem comum. Todos estão bem em seus papeis, mas é a dupla maravilhosa feita por Bruce Dern e June Squib que dá vida e cor ao filme. June faz uma velha desaforada e desbocada, do tipo que fala pelos cotovelos, resmunga com tudo, com uma naturalidade soberba que a faz não hesitar em mandar todo mundo para aquele lugar e passar na cara tudo o que está entalado durante muitos anos - mesmo que isso muitas vezes seja uma bobagem e crie uma confusão ainda maior para os filhos. É dela um dos momentos mais hilários do filme - quando, sobre a lápide de um homem que a desejava, suspende a saia e mostra aquilo que o homem tanto quis e não teve. Já Bruce consegue transitar entre a demência e a esperança, entre a teimosia e a debilidade de um homem ignorante, sem meias palavras e que tem o seu sonho realizado, a sua vitória e redenção, mesmo que por poucos minutos e com a ajuda de seu filho. 

Claro que não se trata de um filme comum - sua primeira parte é lenta, o filme em preto e branco pode afastar os espectadores (não acrescenta nada em termos narrativos, é mais estético), demora a engrenar, mas recompensa com a jornada do velhinho teimoso em busca de sua realização.

Cotação: 3,5/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...