segunda-feira, 2 de junho de 2014

O abominável homem das neves - 1957



Por Jason

Neste clássico da Hammer de 1957, acompanhamos uma expedição ao Himalaia na busca por uma criatura lendária, o Yeti ou homem das neves. O grupo de exploradores se encontra com o doutor John Rollason (Peter Cushing, que em 1977 atuaria em Star Wars, como o comandante de Darth Vader na Estrela da Morte), que decide subir as montanhas geladas a procura da criatura. Durante uma noite, um deles escuta um barulho fora do abrigo, mas os homens não conseguem identificar o que é. Mais tarde, após um acidente envolvendo um dos homens, McNee, em uma armadilha para animais - o homem tem a perna presa - a criatura começa a rondar o acampamento, deixando os homens em pânico.

McNee está em estado de transe e chocado com o que aconteceu e com o que viu. Armados, os outros decidem caçar a criatura. O doutor quer estudá-la, claro, mas o grupo quer o bicho vivo ou morto. Durante essa caça, eles conseguem atingir a criatura. O problema é que há mais delas e elas estão rondando o acampamento e os caçadores querem pegar uma delas vivas, armando uma emboscada que dá errado.  Paralelo a isso, a doutora Helen, mulher de John, está desesperada em uma vila esperando pelo retorno dele e decide montar uma equipe para ir atrás dele. Depois de um contato de John com as outras criaturas, ela o encontra desmaiado. De volta para  a vila, o líder ancião do povo percebe que a experiência de John o transformou de alguma forma em um diálogo na última cena antes de subirem os créditos. 

O filme, o último em preto e branco da produtora, demora para embalar até o terceiro ato - a melhor parte, compreendendo meia hora - quando pegadas são avistadas e a mão da criatura é vista dentro de uma barraca tentando pegar objetos, até que o bicho se assusta com o grito de um dos homens e foge mas é morta. Até aí, o suspense se sustenta porque a criatura é escondida ao máximo, seja pela pobreza da produção, seja para atiçar a imaginação do espectador. Tal recurso já foi usado inúmeras vezes em várias produções e ainda se mostra eficiente até hoje.    
Apesar do plot interessante - e expositivo, já que os personagens explicam e muito sobre a cultura do lugar e sobre a própria criatura, mais insinuando do que mostrando - há coisas absurdas, como não poderia deixar de faltar. Na noite gelada do himalaia, os homens abandonam o abrigo para fumar, sempre com seus cabelos impecáveis, porque apesar do som e uivos de ventania, não há vento em cena. E isso sem sequer usarem luvas, gorros ou máscaras para não congelarem - embora de dia eles usem (!). A cenografia, que usa fundo pintado e cenários sem muita riqueza de detalhes, como condiz a um filme de baixo orçamento e ainda por cima da década de 50, faz o que pode e a maquiagem da criatura é igualmente pobre. Na morte de um dos personagens, que surta e cai do alto da montanha direto em uma pedra é risível, já que a produção usa um notável boneco de pano. Sem contar os atores, que leem seus textos no automático, com uma fala atrás da outra, sem se preocuparem em passar o mínimo de emoção possível. O final, para completar, é abrupto.

Mas há algo de mágico em O abominável homem das neves, que não se perdeu com o tempo. Ao analisar a criatura, o doutor alega que elas são seres de inteligência, que temem ser extintas pela humanidade, mas que não são uma ameaça. Explica que eles podem ser criaturas que viveram centenas de anos, evoluíram paralelamente aos humanos e atingiram um grau de evolução que os homens não atingirão porque provavelmente se destruirão muito antes. Há, segundo ele, na expressão da criatura, uma certa gentileza que não é achada nos homens - e a grande sacada do filme é justamente tratar os humanos como intrusos ameaçadores e criaturas mortais armadas e não as criaturas em si. O doutor, como visto, tinha razão.

Cotação: 2,5/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...