sexta-feira, 27 de junho de 2014

O enigma de Kaspar Hauser - 1974



Por Jason



O filme narra a história de Kaspar Hauser, um homem que é mantido em cativeiro dentro de um porão enquanto é maltratado por outro, que o alimenta com pão e água. Na primeira parte, vemos como ele vive, acorrentado, sendo agredido, mas nunca revida e o único brinquedo que tem é um cavalinho de madeira - aliás, "cavalo" é a única palavra que ele sabe pronunciar. O homem ensina Kaspar a escrever seu nome e a pronunciá-lo, o ensina a andar e em seguida o abandona na cidade de Nuremberg, em 1828, com um bilhete endereçado ao capitão da guarda.


Mais tarde, depois do primeiro contato nada amistoso, Hauser, catatônico, é averiguado pela guarda da cidade que não sabe o que fazer com ele. Com a ajuda de uma família - em especial uma criança - é que Kaspar vai desenvolver um pouco mais de sua fala e se torna capaz de articular palavras e frases. É enviado para um circo, onde de novo passa a ser humilhado ao lado de pessoas que estão vivendo marginalizados por ser diferentes. Ele é encontrado por um professor e em 1833 ferido mortalmente não se sabe por quem. Na autópsia, descobre-se que ele possuía uma anomalia do cerebelo que era maior que o normal e o lado esquerdo do cérebro tinha um tamanho desproporcional.

Assim como outros filmes posteriores - os mais lembrados seriam O homem elefante e Nell -, o filme trata do desenvolvimento moral, ético, psicológico e social de um ser humano que foi privado de tudo isso durante anos. A hostilização a sua figura vem do fato de que Kaspar é uma "criatura" que não se encaixa em nada do que já foi visto anteriormente. Como é um estranho, as pessoas tendem a menosprezá-lo - nas palavras dele - e a agredi-los. É uma peça diferente de um quebra cabeça que em nada se encaixa e aos olhos da sociedade, como tal, deve ser eliminada.

O roteiro também parece querer discutir a importância da comunicação para que um ser humano seja considerado inserido no meio social - a comunicação como veículo de conhecimento em todos os níveis -, uma vez que Kaspar não fala, não gesticula e nem escreve, impossibilitando qualquer entendimento entre ele e as pessoas - e, mesmo quando consegue falar e escrever, desenvolver outras atividades, não consegue compreender o comportamento em sua volta, mantendo-se mesmo assim ignorante.

A diferença entre este filme do celebrado Werner Herzog, baseado em fatos, e outros com temática semelhante é que aqui temos um ator velho, interpretando, segundo relatos históricos, um personagem de 15 anos. Isso muda completamente a forma como o espectador visualiza o filme - e, para falar a verdade, a produção não choca como deveria, trazendo uma situação até tragicômica na pele do ator que por muitas vezes parece rir e olhar para a câmera. Para completar, tudo tem um ritmo lento, quase parando - o filme só passa a despertar algum interesse depois de uma hora -, que não desenrola e cansa o espectador.

Cotação: 2/5



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...