domingo, 15 de junho de 2014

O mensageiro - 2009



Por Jason


O Mensageiro trata de uma profissão ingrata. A de soldados que são responsáveis por dar a notícia a familiares que seus entes queridos morreram em operações militares. Nesse contexto, o soldado Will (Ben Foster) foi nomeado para a função, recebendo instrução do capitão Tony (Woody Harrelson). No trabalho, ao dar a notícia, Will precisa ser direto, não se envolver emocionalmente, usar as palavras corretas, ter controle emocional e psicológico e não tocar na pessoa, apenas em caso de algum ataque que necessite uma ação de socorro. 

A primeira missão é um baque. Will precisa dar a notícia de um soldado morto a uma mãe, que mora com a namorada do falecido e que por sinal está grávida. São essas reações, imprevisíveis, que mantém o espectador atônito. Cada pessoa reage de uma maneira ao receber a notícia - do pai que não sabia que a filha tinha casado escondido, aos pais que tem um ataque de desespero numa floricultura, passando por um pai que revoltado cospe na cara de Will - e o filme é incrivelmente seco e real no sentido de expor a ferida ao espectador. Paralelo a isso, Will perdeu a namorada que vai casar com outro. 

Vítima em uma missão de guerra, ele tem um problema de vista, ja que uma bomba explodiu debaixo de um companheiro próximo a ele. Apresenta distúrbios psicológicos como insônia e tendência ao alcoolismo, agravados pelo trabalho. Will acaba se envolvendo com uma mulher que acabou de perder o marido - papel da excelente Samantha Morton -, mas que era maltratada por ele e ainda está sentimentalmente confusa com o ocorrido: ela não sabe se está livre de um fardo - o marido a maltratava e machucava a criança - ou se está de luto pela desconstrução de sua família. 

Não ajuda em nada o oficial Tony (Harrelson foi indicado ao Oscar pelo papel). Notavelmente desequilibrado e amargurado, Tony, que tinha problemas com alcoolismo e estava são, é tragado novamente pela função e acaba levando Will consigo. O roteiro, também indicado ao Oscar, leva o espectador a pensar sobre ética e cidadania, dentro do próprio exército e do exercício da função, além da falta de humanização dos mensageiros -, e como os dois conseguirão driblar os empecilhos que o emprego exige. O lado ruim é a trama de relacionamento de Will que faz o filme travar, embora seja essencial para manter o seu lado humano e seguir em frente, e personagens como a Kelly de Jena Malone, a ex do soldado, que pouco tem a fazer.

Cotação: 3,5/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...