segunda-feira, 9 de junho de 2014

Zardoz - 1974



Por Jason

O começo de Zardoz já mostra que não se trata de uma ficção convencional. Nele, vemos uma cabeça gigante rochosa pousar no planeta Terra de 2293 e falar com uma população de homens que idolatram o Deus Zardoz. A cabeça diz algo como que o pênis do ser humano é maligno porque prolifera a peste chamada homem e os homens devem adorar as armas. Ela cospe um monte de armas que os homens se matam para pegá-las. Nesse meio está Zed, Sean Connery - seminu em uma sunga vermelha bizarra e usando botas de cano longo -, que entra na cabeça e descobre uma série de corpos humanos dentro de casulos plásticos. Um homem surge e leva um tiro do personagem de Connery, voando em seguida para fora da cabeça.

A cabeça pousa em uma vila futurista de aparência medieval que traz estufas de vegetais e parece um campo de experiências estranhas. Essa é a chamada Vortex, uma zona privilegiada onde vivem homens e mulheres jovens imortais. Eles descobrem que Zed é um exterminador, homens mantidos por Zardoz para eliminar e escravizar outros para produzirem trigo e fornecerem comida ao Vortex. Zed se diverte estuprando mulheres e matando os condenados e miseráveis humanos desse futuro desolado. Ele é preso por três semanas para ser estudado e é escravizado em Vortex, mas Zed acaba aprendendo mais sobre o lugar: nesse reino os homens recebem como condenação por seus crimes o envelhecimento. Os velhos vivem em um lugar separado, e a região ainda traz gente que está sofrendo de apatia e catatonismo pelo tédio de se viver nesse futuro insosso além de gente que evoluiu mentalmente, capaz de invadir a mente uns dos outros.  

Em nome da ciência, Zed deve ser destruído porque é uma ameaça a regularidade do sistema em que eles vivem. Pior: os outros moradores começam a apreciá-lo por trazer algum rebuliço e emoção ao lugar, ao contrário de Consuella (Charlote Rampling) que defende que que ele deve ser destruído antes que crie uma guerra dentro do Vortex. O sexo em Vortex foi abolido e os velhos procuram uma morte que não vem, um alívio que não possuem o direito de ter - por serem imortais, eles envelhecem como penalidade pelos seus atos que vão de encontro a sociedade, mas não podem morrer. Zed encontrou nos livros a verdade sobre tudo, saindo da ignorância e matando o Deus fajuto que teve seu nome forjado de um livro, O mágico de Oz (The Wizard of Oz). O Vortex é como um Oásis, onde os doentes e miseráveis foram deixados para morrerem e Zed é o preço pelo qual aqueles imortais estão pagando. Na confusão que se instala enquanto Zed tenta fugir, os exterminadores acabam chegando ao Vortex e acabando com tudo enquanto Zed e Consuela se apaixonam, formando uma espécie de novos Deuses ao juntos darem a origem a um novo Adão. 

Tudo é bizarro e distorcido em Zardoz. Dirigido, escrito e produzido por John Boorman com baixo orçamento, diretor de Excalibur e Amargo Pesadelo, o filme passa do cenário estranho ao clima psicodélico, do futuro desolado ao machão Sean Connery de bigode, trança,uma tanga sumária e botas. O roteiro parece dizer que a humanidade chegou não só a imortalidade como a um ponto em que Deus não existe mais, a ciência dominou os homens mas a loucura e a alienação também. A crítica a religião está sublinhada, na figura da cabeça voadora e nas estátuas atiradas em um porão comendo poeira, ao que um dos personagens afirma que todos os deuses morreram - mas a humanidade continua alienada e manipulada como fantoche por um deus criada por ela mesma. Outro ponto a ser observado é o de que a imortalidade, que poderia ser uma benção, parece mais um fardo que faz com que as pessoas desejem morrer. 

Esqueça as atuações - todas elas são ruins e caricatas e Sean Connery aparece pagando um micaço - a pobreza de muitos dos ambientes e o ritmo quase estacionário, já que em muitos momentos absolutamente nada acontece e diálogos são travados entre os personagens apenas para explicar como esse futuro funciona, embora deixe muito para que o espectador reflita. Toda essa loucura contribui para transformar o filme numa produção incompreendida até hoje, que precisa de concessões do espectador para funcionar e fazê-lo embarcar nesse futuro absurdo, original e diferente. 

Cotação: 3/5

Um comentário:

  1. Muito viajado e louco esse filme kkk. O início parecia promissor com a cabeça voadora, mas é só os diálogos começarem que tudo desanda. Morri de rir da personagem consuella tentando entender como acontece uma ereção...

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