sábado, 12 de julho de 2014

Campo dos sonhos - 1989



Por Jason

Ray (Kevin Costner), pai de família, era filho de um homem fã de basebol, que tinha sonho de ser jogador. Ray brigou com o pai aos dezessete anos por causa do esporte e saiu de casa, sendo que o pai morreu antes que ele pudesse se desculpar. Já adulto, ele se muda para uma fazenda com sua família, onde começa a ouvir vozes, que dizem que ele deve construir um campo de basebol. Ray constrói um campo, prejudicando a colheita de milho, que sustenta as contas da fazenda, aos olhos de deboche da vizinhança. 

Ao construir o campo, um grande nome da história do basebol, Joe Jackson, aparece para experimentá-lo. Mais tarde, ele traz outros jogadores. Apenas a família, formada por Ray, a mulher e a filha, é capaz de vê-los. O campo, porém, fez com que as contas da família atrasassem e eles estão a ponto de perderem a propriedade. Uma voz guia Ray a procurar mais pessoas, como Terry Man (James Earl Jones), outro apreciador do esporte, escritor, que tinha vontade de ser jogador e ver um jogo com os grandes nomes, mas nunca teve a oportunidade. Após se desentenderem, eles acabam juntos à procura de mais nomes envolvidos com o esporte e retornam ao campo construído por Ray. 

No meio do caminho, um jovem, Arch, disposto a virar jogador que acaba treinando com os grandes e acaba se revelando ser um jogador que quase foi profissional, mas abandonou a carreira para se tornar médico (último papel de Burt Lancaster nos cinemas). O cunhado de Ray, que não pode ver os jogadores, está determinado a vender o terreno para salvar a propriedade, a contragosto de Ray e sua esposa, mas muda de ideia quando finalmente descobre o segredo do campo. O filme se encerra, finalmente, com o contato tão sonhado de Ray e seu pai e o público fazendo fila para assistir aos grandes jogadores e ídolos do passado.  

O filme recebeu três indicações ao Oscar - melhor roteiro, trilha sonora e fotografia - e é baseado no romance Shoeless Joe de W. P. Kinsella e traz personagens reais misturados com fictícios, a começar pelo que dá nome ao livro. Shoeless Joe Jackson (Joe "Descalço" Jackson), era considerado um dos melhores jogadores do esporte nos EUA, mas foi banido após um escândalo num torneio. Recebeu esse nome por ter ficado famoso ao jogar descalço em um jogo. Terrence Mann é inspirado em outro personagem real, o escritor Jerome David Salinger, do famoso O Apanhador no Campo de Centeio

Ambos personagens, reais ou fictícios, possuem contas a acertar e pedem por uma nova chance de entrar em campo e de refazer as coisas como gostariam de ter feito. O caso maior é do próprio Ray, cujo campo acaba sendo o veículo pelo qual ele acerta as contas com o passado na figura jovem de seu pai - a lembrança que ele tinha quando o deixou ainda adolescente. Paralelo a isso, o filme grita para o público, atolado em clicheria e através de diálogos didáticos, suas lições de moral: é um filme sobre ter uma segunda chance antes que seja tarde (como diz Ray, ele quis pedir desculpas ao pai mas já era tarde quando decidiu pedir), sobre ter sonhos e correr atrás de realizá-los mesmo que tudo conspire contra eles. 

Kevin Costner aqui não faz muito e Ray Liotta parece entorpecido e no filme tem pouca expressão. Para a coadjuvante Amy Madigan não resta muita coisa a não ser embarcar na viagem do marido. James Earl Jones domina a tela desde o momento em que entra em cena, oferecendo mais até do que o filme precisa, e Burt empresta dignidade na figura apática do médico, que vaga daqui pra lá procurando essa realização para poder fazer a passagem - feita, aliás, pelo milharal ao redor do campo. A trilha sonora de James Horner é melodramática e genérica, como convém ao tipo do filme, mas a fotografia é bela e merecedora de indicação ao Oscar sem dúvidas. Campo dos Sonhos não deixa de ser um festival de breguice, com direito a fantasma perguntando se aquele "é o paraíso" e Ray respondendo que "não, é Iowa" para depois Ray entender que aquele pode ser realmente um paraíso em que vive feliz com sua família. Personagens entram e saem sem dizerem a que vieram (o cunhado, outros jogadores) e o filme tem a cara de seu tempo. Mas talvez por isso ele seja bom: não esconde sua simplicidade e entrega ao espectador exatamente aquilo que pretende.

Cotação: 3/5

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