sexta-feira, 11 de julho de 2014

Grey Gardens - 1975



Por Jason

Na década de 70, um escândalo ocupou as manchetes dos jornais americanos. Autoridades locais de East Hampton, uma área residencial nobre no estado de Nova Iorque, tentaram expulsar mãe e filha de uma mansão decadente do balneário de luxo, alegando falta de mínimas condições sanitárias. Edith Ewing Bouvier Beale e Edith Bouvier Beale, mãe e filha, conhecidas respectivamente como Big Eddie e Little Eddie, um dia tinham sido mulheres bonitas e ricas, da alta sociedade americana. Parentes da primeira dama Jaqueline Kennedy, foram encontradas na velha mansão infestada por ratos, gatos, tomada por arvores e completamente deteriorada. As duas estavam vivendo em condições sub humanas, com uma pequena pensão, se alimentando de patês, comidas enlatadas e sorvetes.

A situação parecia surreal. A velha mal conseguia se mexer da cama. Abandonada pelo marido e pelos dois outros filhos, acabou sendo cuidada pela filha. As duas passam o tempo todo praticamente se atacando, cheias de mágoas e de rancores pelas escolhas erradas que fizeram na vida. As duas vivem diariamente "o que poderia ter sido", "com quem poderia ter vivido", "o que eu poderia ter feito". Sofrendo com a falta de pelos e de cabelos e usando lenços dos mais variados tipos e cores, Little Edie acusa a mãe pelo desastre que foi sua vida, ao que a mãe culpa a filha de ter rejeitado os pretendentes milionários que ela ofereceu. A velha expulsava muitos dos pretendentes da filha, na verdade, por saber que terminaria sozinha, e empatou a filha de realizar seus sonhos fora dali, por receio de que a menina se transformasse em um sucesso que ela sempre quis mas nunca teve. Ela revive os tempos em que cantava e está mentalmente perturbada, transtornada e compulsiva, e ainda assim mantendo uma grande dominação sobre a filha: ela fala mais alto e sempre a interfere. Aos poucos, as duas vão disputando a atenção da câmera, mas a figura da mãe ainda domina, julga e condena a filha em tudo o que ela faz.

A filha não fica atrás: ficou louca quando o pai foi embora, se tornou uma mulher que abandonou sonhos e não soube o que fazer da vida, fraquejou em suas realizações pessoais e se encontra totalmente degradada, física e psicologicamente. Chama atenção a imundície em que as mulheres viviam. O sótão, por exemplo, além de cheio de lixo, está cheio de animais de todos os tipos, incluindo guaxinins, que são alimentados pela filha. O quarto onde elas passam a maior parte do tempo está amontoado de lixo, de coisas velhas, embalagens usadas, comida de animais a velhos jornais, passando por inúmeras tralhas. A sala de jantar está suja, coberta de poeira e encrustada de sujeira, causando extremo desconforto nos visitantes. 

O documentário desnuda essas duas figuras decrépitas, sem um roteiro e com pouca intervenção dos autores, apenas mostrando como as duas se comportam. O filme serviria de base para o premiado telefilme de 2009, com Jessica Lange e Drew Barrymore e comparando as duas obras hoje, o telefilme fica ainda mais impressionante ao se ver a performance das duas, que mimetizaram com perfeição toda a perturbação mental da dupla. Não é um programa fácil de se ver, é um retrato da loucura, da fragmentação familiar, risível e ao mesmo tempo trágico.


Filme completo legendado no Youtube

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