terça-feira, 1 de julho de 2014

Mystery Road - 2013



Por Jason

Nesse filme australiano, um policial cowboy, Jay, virou detetive e agora tenta desvendar um assassinato envolvendo uma menina, cujo corpo foi encontrado em um córrego, com marcas de lacerações no pescoço e de mordidas de um cão. As suspeitas recaem sobre os carreteiros que transitam pela região, já que a menina se prostituía e estava envolvida com tráfico de drogas. Além de enfrentar a falta de colaboração de pessoas ligadas à vítima, o policial precisa lutar contra a própria morosidade e descaso da polícia local com relação ao caso, tratado como apenas mais um qualquer. 

Para completar, Jay tem um passado nebuloso. Sua ex mulher é difícil e relapsa. Ele tem uma filha, praticamente abandonada, da qual se afastou e agora tenta uma reaproximação infrutífera. Sua filha, aliás, está ligada à menina morta, já que as duas se conheciam, e sem nenhuma perspectiva de futuro. A comunidade é pobre e desolada, localizada no meio de terras áridas, cujas jovens estão em sua maioria envolvidas com drogas e prostituição pela falta de futuro. Jay começa a ligar os pontos no caso, suspeita que o assassino seja um caçador ao descobrir o uso de uma faca para destrinchar a presa e de uma caminhonete branca típica de caçadores ao conversar com testemunhas, além do envolvimento de um fazendeiro perto do local do crime e de outras pessoas próximas a ele - o jovem caçador, aliás, é filho do fazendeiro. Tudo vai convergir para o último ato com um tiroteio mal elaborado nos quinze minutos finais do filme, onde Jay é alvejado pelo grupo suspeito e onde o caso é encerrado de modo um tanto insatisfatório.  

O filme traz boas atuações e boa fotografia, com paisagens áridas desoladas australianas e destaque para Hugo Weaving em boa caracterização, como um policial que passa a ser suspeito de Jay mas que acaba se sacrificando e ajudando-o ao final. Os problemas maiores estão no seu roteiro, na sua cara de telefilme barato e na sua edição. Gente entra e sai sem dizer a que veio como o repórter do começo do filme ou o legista que some e só aparece por ligação telefônica - e o filme já demonstra uma parte do seu final antecipadamente, principalmente no contato revelador de Jay com os caçadores. Detalhes começam a chamar mais atenção tamanho desinteresse na trama - perde-se a conta de quanto o roteiro mostra Jay entrando e saindo do seu carro ou seu carro chegando e saindo de algum lugar sem acrescentar nada a trama. Para se ter uma ideia, passa-se metade do filme e Jay fica indo e voltando para o lugar do crime, sem descobrir nada, fazendo com que a trama se amarre, saia do nada para lugar algum e onde nada acontece. 

Por fim, o filme atira para todo lado, flerta com o drama, com o thriller, tenta o mistério e não consegue êxito em nenhum dos estilos, não empolga, resultando numa produção enfadonha e superficial. 

Cotação: 1,5/5

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