segunda-feira, 28 de julho de 2014

O expresso da meia-noite - 1978



Por Jason

Premiado com o Oscar de Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora, expresso da meia-noite é baseado em uma história verídica ocorrida em 1970. O filme abre com a situação chave em que William Billy Hayes tenta pegar um voo partindo de Istambul, na Turquia, carregando uma grande quantidade de haxixe preso em seu corpo. Pego em flagrante no momento do embarque, Hayes foi coagido pela polícia a dar os nomes dos fornecedores de drogas, já que a polícia supostamente lhe ofereceria a possibilidade de voltar aos EUA. No momento em que é levado para o reconhecimento do fornecedor de drogas, Hayes tenta fugir, mas é pego e enviado para uma prisão de condições sub-humanas sob acusação de porte de drogas, prisão esta que mais parece um esgoto. 

A partir daí, Hayes começa a viver um inferno na prisão. É espancado, torturado e humilhado. Ele conhece dois prisioneiros, Jimmy (Randy Quaid, então magro e irreconhecível), e Erich (Norbert Weissner - de O enigma de outro mundo, A lista de Schindler, Pollock), outro preso por porte de haxixe, que o indicam para o viciado em drogas que lá está já fazem sete anos, Max (John Hurt, em papel que lhe rendeu indicação ao Oscar de ator coadjuvante pelo filme) e que lhe diz e mostra o verdadeiro significado da expressão "expresso da meia-noite". Paralelo a isso, Erich começa a despertar uma atração por Hayes e até tenta investir, mas o rapaz se recusa. Hayes não era santo, afinal tinha cometido um crime e deveria pagar por isso, só que ele não contava com a abusiva lei turca, que depois de quatro anos de prisão deixou de tratá-lo como um caso de porte de drogas para o enquadrar como traficante, alterando sua pena para trinta anos. O jeito de não apodrecer na cadeia era mesmo tentar fugir.

Todos estão bem no papel, a exceção é Irene Miracle, péssima, como Susan, namorada de Hayes, que pouco tem a fazer a não ser mostrar seus peitos na prisão e levar o dinheiro necessário para ele usar ao escapar de lá. Brad Davis falha em algumas cenas mais dramáticas, mas defende o personagem com dignidade. Contudo, é John Hurt, como o drogado Max que rouba a cena. Retrato da degradação da prisão, o sistema carcerário e as drogas lhe roubaram até mesmo a esperança de um dia deixar aquele lugar, tornando-o decrépito. Max só desperta alguma esperança quando percebe que os planos de fuga podem dar certo, mas vai parar no sanatório e de lá não volta mais. 

A direção de Alan Parker (Mississípi em Chamas, Coração Satânico, Fama, Evita) indicada ao Oscar é crua sem ser apelativa: Parker filma a prisão como um limbo, o sanatório como um inferno em que os prisioneiros são almas penadas caminhando para lá e para cá completamente surtados e falando coisas sem nexo, onde os guardas são verdadeiros demônios munidos de estacas para darem pauladas nos detentos. O roteiro é de Oliver Stone, adaptado de um livro autobiográfico de Hayes, premiado com seu primeiro Oscar antes de ganhar como diretor de Platoon e Nascido em 4 de julho. A trilha sonora é datada, cheia de sintetizadores, mas funcional, e tanto a direção de arte quanto a fotografia são eficientes em criar o ambiente poluído, claustrofóbico e imundo da prisão. Tamanho esforço só poderia resultar em um filmaço imperdível.

Cotação: 5/5  

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