segunda-feira, 7 de julho de 2014

O sobrevivente - 1987





Por Jason

Em O Sobrevivente, o pai de Jogos Vorazes, Arnold Schwarzenneger encarna Ben Richards, um homem que foi preso injustamente e, ao conseguir fugir da cadeia, acaba preso e levado para o programa de televisão mais popular do mundo, The Running Man, onde prisioneiros são levados a brigarem até a morte teoricamente em troca de perdão, por um julgamento ou por uma pena menor se saírem vivos das arenas. Com ele vão dois conhecidos da prisão também fugitivos e uma mulher, Amber, produtora de vinhetas para a tv que não acredita nele mas acaba sendo vítima do sistema e mandada para o programa com ele. 

A direção do programa seleciona caçadores, para caçar o grupo até a morte. Cabe ao personagem lutar contra eles e mudar a imagem que possui diante da população, para derrubar o sistema. À medida que o tempo passa e Ben continua vivo, a população começa a apostar nele como sobrevivente e o programa começa a ruir. Ben também descobre que os supostos sobreviventes do programa nunca existiram, pois depois de vencerem foram mortos e a mídia propagandeou que eles estavam bem de vida, fazendo com que a população realmente acreditasse. Com a ajuda de um grupo de resistência, Ben consegue finalmente mandar tudo pelos ares.


O filme é um festival de tosqueira e breguices como a década de 80, que começam desde a trilha sonora datada ao figurino espalhafatoso, como o punk gordo iluminado como uma árvore de natal ou o caçador com lança-chamas que voa e usa cabeleira exótica. Figurino esse, aliás, que mais lembra o da época em que o filme foi realizado do que num então futuro distante e parece um desfile de carnaval. Nada ou quase nada, além das bizarrices do programa, é explorado nesse futuro de caos - tudo se resume a um letreiro no começo do filme - e temos pérolas disparadas como metralhadoras giratórias em diálogos horríveis e cheios de clichês - o mais notório talvez seja o "EU VOLTAREI" solto por Arnold Schwarzenegger quando menos se espera. 

Mas tudo tem um clima de ironia e cinismo, que parece muito mais uma mistura saída de algum filme de Paul Verhoeven do que do texto O concorrente, de Stephen King, no qual o filme é ligeiramente baseado. Na trama do livro, Ben é praticamente destinado ao fracasso, já que não tem nem a cara nem o corpo de Arnold e ele decide entrar no jogo para conseguir dinheiro e comprar remédios para sua filha doente - e o que ninguém contava era que ele resistiria ao game sádico. No filme, a apresentação do programa parece uma abertura perdida do Fantástico,  com direito a balé de mulheres dançando e sensualizando. Impagável. A mídia é extremamente manipuladora, exagera nos fatos e ilude a população, criando heróis e vilões para ela, que acredita cegamente na tv num verdadeiro show de bizarrices dignos de programas como Big Brother Brasil, A Fazenda e outros lixos da tv. A população histérica assiste empolgada ao programa louca pela carnificina, um detalhe que ainda mantém o filme interessante e de  temática atual.

De Arnold não se espera nada, ou melhor, se espera de tudo - e ele tem carisma em cena, isso é fato inegável. Seu péssimo inglês e sua péssima atuação acabam sendo destaques no filme, que traz ainda a ex miss Venezuela Maria Conchita Alonso, de Predador 2 - que era bela mas que se transformou num canhão com a cara toda remendada de plástica - e Yaphet Kotto, de Alien O oitavo passageiro, além do fortão Jesse Ventura, que também pode ser visto em Predador. Desligue parte do cérebro e seja feliz.

Cotação: 3/5

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