sexta-feira, 25 de julho de 2014

Planeta dos Macacos: O confronto - 2014



Por Jason

A trama de Planeta dos Macacos: O Confronto começa mostrando rapidamente as consequências da disseminação do vírus que dizimou quase toda a humanidade. Corta para o grupo de símios em um prólogo que mostra um pouco da relação de Cesar com o filho e com outros companheiros. Em seguida, Cesar acompanha o parto do mais novo integrante de sua família e em uma conversa com o seu amigo orangotango, demonstra em sua expressão cansada ainda estar temeroso com relação aos humanos. Não tarda para os macacos encontrarem um grupo de humanos armados na selva que resulta num tiro e em um macaco ferido. Espantados, os intrusos são postos para fora da floresta de volta as ruínas do mundo onde vivem, uma São Francisco completamente devastada e tomada por vegetação.

É a partir daí que as coisas começam a se complicar e a linha frouxa entre os dois mundos começa a se romper. Tanto dentro dos humanos quanto dentro dos macacos, há células podres, que não estão de acordo com o pregado por Cesar, por exemplo, que quer paz entre ambos os lados e quer viver com sua família enquanto os humanos devem continuar com a vida deles longe dos símios. Cesar prega que humanos se destroem entre si e que os macacos devem estar sempre unidos, como uma família - os jovens macacos são ensinados a não matarem entre si. Vai até os humanos montado em cavalo com seu grupo e demarca o território de cada um aos berros. 

O problema está em Koba, o agressivo macaco que quer causar uma guerra contra os humanos, alegando que os humanos os destruirão. Koba não pensa duas vezes em mostrar o que os humanos fizeram com ele, e as sequelas estão não só no seu corpo como na sua personalidade, o que vai de encontro ao pregado por Cesar. É Koba o estopim do conflito entre homens e macacos, quem desperta o lado bestial de Cesar, e que vai resultar em uma batalha final entre os dois. É ele o motivo pelo qual Cesar vê seu filho se distanciar - e são as ações dele que acabam fazendo com que os dois se unam. Do lado humano, Gary Oldman acaba tentando resistir ao ataque e quando o conflito explode é ele quem planeja acabar com tudo. Essa é, do ponto de vista do roteiro, talvez a parte mais interessante do filme: não importa se os macacos adquiriram o dom humano da fala - há, ainda ali, resquícios de animalidade dos dois lados que podem explodir a qualquer momento - e não há um lado bom na guerra porque ambos, ao final das contas, estão errados. 

Nesse contexto, o personagem Malcolm de Jason Clarke, seu filho e sua mulher Ellie, feita pela insossa Keri Russell, surgem como pessoas tentando apaziguar uma situação que está destinada ao fracasso, veículos pelos quais Cesar - e o espectador - voltam a ter esperança na humanidade mas que acabam no meio do fogo cruzado. Ao final, depois da liderança abalada e de quase morrer, fica a inexorável interrogação do que virá depois de tudo, já que Cesar anuncia que os macacos começaram uma guerra e os humanos revidarão - e fica também a boa sensação de que o que foi mostrado no filme é apenas a superfície de algo muito mais apocalíptico.

Tecnicamente, o filme é simplesmente espetacular. Todos os macacos são tão realistas que fica difícil acreditar que não existem - os efeitos especiais são soberbos. E os símios são incrivelmente mais interessantes e melhores desenvolvidos que os personagens humanos: é impossível não se conectar com eles desde o primeiro momento do filme, em que vivem na floresta, estudando, aprendendo a falar na comunidade rústica e familiar, enquanto cuidam de seus filhos. A direção de arte é outro ponto que chama atenção, reproduzindo perfeitamente uma cidade pós apocalíptica, ambientes industriais deteriorados, a morada dos macacos, dentre outros. Atrás das câmeras, Matt Reeves, de Cloverfield, cria momentos sensíveis, com Cesar, sua fêmea e seus filhos, ou tensos, como no confronto e quando Cesar descobre uma arma no grupo humano e sua cria é ameaçada. 

Andy Serkis faz um trabalho excelente como Cesar, mas é o macaco Koba, de Toby Kebbell, o personagem mais impressionante e assustador da produção, roubando a cena desde que entra no filme. Koba não pensa duas vezes em assassinar um macaco que hesita em se vingar de um humano. Em sua sede vingança e loucura, traz uma personalidade perturbada, furiosa, desconfiada, arrogante, que não consegue enxergar que é um veneno não apenas para os humanos que ele decide matar e aprisionar, mas para a sua própria espécie que tem inúmeras baixas no confronto. Infelizmente, o filme é tecnicamente superior ao anterior em tudo, mas mantém a deficiência de personagens humanos interessantes na mesma proporção.

Jason Clarke se esforça, mas passa batido. Keri Russell é engolida facilmente e a Gary Oldman, ótimo, aqui resta sua eficiência com pouco a fazer e pouco aparecer - e isso vale para gente que entra e sai no time humano e ninguém sente falta. Há mais deslizes, como o fato de que Cesar, ao voltar a sua casa do primeiro filme, encontra - muitos anos depois, lembremos - uma câmera que ainda liga e ainda possui aquele resto de carga na bateria, numa situação que só é possível de acreditar em um filme; dois personagens idiotas, fazendo idiotices, que surgem na tela duas vezes, uma apenas para - felizmente - morrerem; Ou quando Cesar, depois de quase morrer com um ferimento grave, se recupera e vai lutar muito rapidamente. Nada, contudo, que comprometa o resultado da produção. 

Cotação: 4/5

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