sábado, 5 de julho de 2014

Rollerball - 1975



Por Jason

Rollerball é um dos representantes da ficção da safra da década de 70 que tratam de futuros distópicos, como Corrida Mortal (1975), Fuga do Seculo 23 (1976), No mundo de 2020(1973) dentre outros. Dirigido por Norman Jewison (de Feitiço da lua, Agnes de Deus e Jesus Cristo Superstar) o filme se passa num futuro pessimista, quando o mundo se tornou uma distopia, governado por uma corporações após uma guerra empresarial e a fragmentação do país em nações. O esporte mais popular é o Rollerball. Nele, dois times lutam para marcar gols usando patins e motocicletas dentro de uma arena circular, se esmurrando a ponto de morrerem, numa verdadeira mistura de hockey, futebol americano, patinação e motocross. O jogador mais popular em dez anos de Rollerball é Jonathan, o líder do time de Houston.

Depois de uma vitória, Jonathan é convocado pela corporação para uma reunião e é aconselhado a abandonar a carreira.  Há uma conspiração por trás de seu afastamento e Jonathan não sabe o motivo. Ele percebe, no entanto, que a cada partida, a cada campeonato, as regras estão sendo modificadas, para que o jogo fique mais violento - o que vai resultar na morte de um colega dele. Jonathan pede a um conhecido que tente descobrir algo e, após investigar, ele descobre que Jonathan pode ser uma pedra no sapato, algo que pode derrubar o sistema. Ele não muda de ideia e segue no jogo. Isso leva o filme para o terceiro ato, onde o dono do jogo, Bartholomew, planejou a ausência de regras totais do jogo - todos devem ser eliminados até restar um - e após uma reunião com a cúpula presidencial, decide que Jonathan deve ser morto já que não quer desistir, porque vai de encontro a razão do jogo existir. Só que Jonathan sobrevive contra todas as expectativas.

Rollerball, como muitos filmes do gênero, não explora o futuro em que a trama se passa, o que poderia render muito mais. Concentra-se no desafio de Jonathan e, tirando as sequências da arena, parece demorar a passar mais do que realmente é. Resume a alienação do público e da população a uma sequência de uma festa, em que os convidados assistem as gravações de Jonathan dentro da arena socando seus adversários, para depois, completamente desequilibrados e fúteis, dispararem contra árvores num campo. Também envelheceu mal, com sua direção de arte "futurista" datada e sem imaginação. Faltou também uma melhor visão sobre o conhecimento: para descobrir mais, Jonathan vai atrás de livros que foram arquivados em uma biblioteca na forma de arquivos digitais - rede e internet são coisas inexistentes. 

Isso não tira o brilho do mote principal, que é a crítica a perda da individualidade do ser humano e a sua capacidade de fazer suas próprias escolhas, nem de James Caan, que segura o filme até o final. Como diz o dono do jogo, o Rollerball foi criado para mostrar uma futilidade, a do esforço individual, uma forma de mostrar que apenas a coletividade funcionaria - aos olhos da corporação. Mas essa corporação controla até mesmo a vida particular do ser humano como Jonathan, indicando com quais mulheres ele deve se envolver e colocando homens para se digladiarem futilmente dentro de uma arena apenas para faturarem e saciarem a vontade de uma população alienada. Tudo isso regado a trilha sonora que traz a Tocata de Bach, a Adagio em sol menor de Albinoni/Giazotto, e o Largo da Sinfonia nº 5 de Dmitri Shostakovich, qualidades suficientes para alçá-lo a categoria de cult.

Cotação: 3/5

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