quinta-feira, 10 de julho de 2014

V de Vingança - 2006



Por Jason

V de Vingança se passa em um futuro próximo, onde o governo, sob o pretexto de terrorismo, comandado pelo chanceler Adam Sutler (John Hurt), promete dar segurança ao país, mas acaba controlando e iludindo a população, que vive oprimida. O governo é corrupto, a mídia manipuladora e tudo o que é diferente é caçado e eliminado. Neste contexto, um misterioso vingador, que se identifica como V (Hugo Weaving), chega para incitar a população a mudar o país, se envolvendo com uma jovem, Evey (Natalie Portman) em quem acaba desenvolvendo o sentimento de liberdade, esperança e mudança tão necessários a nação.

V de Vingança joga na panela uma série de temas. A homofobia no futuro retratado pelo filme chegou ao ponto do intolerante como no período de Segunda Guerra Mundial, onde os homossexuais eram caçados, torturados e mortos. E é irônico imaginar que a história de um casal lésbico surja em um filme de Hollywood como fonte de amor, força, fé e de esperança - não só para os personagens mas também para uma sociedade fria e oprimida. Critica também o fanatismo, seja político ou religioso - na pele do Bispo alçado ao poder religioso por meios escusos e que se mostra um pervertido sexual pedófilo. O filme ainda faz uma crítica ferrenha à mídia, manipuladora e inescrupulosa, que é fonte e veículo de alienação para a população. O ponto chave do roteiro, no entanto, é a raiz disso tudo, o totalitarismo. 

No roteiro, baseado na série de quadrinhos homônima de Alan Moore e David Lloyd, um partido político fascista sobe ao poder se apoiando no medo da população, em meio uma crise de atentados biológicos e terroristas. O próprio governo, depois de um programa de armas biológicas, espalhou um vírus que ceifou a vida de quase 100 mil pessoas como artimanha: os políticos entram como uma solução para o problema, ganhando apoio popular. A população é incapaz de reconhecer o seu poder, vigiada de perto pelo governo, que repreende qualquer atitude que vá de encontro a seus interesses. 

Os paralelos do filme são óbvios. Há uma alusão a Hitler - a perseguição aos diferentes, a fobia a outras religiões - sinalizando que a fobia, de qualquer forma que seja, só poderá levar o mundo realmente a uma Terceira Guerra. Há também referências a sociedade pós 11 de setembro, já que os EUA seguem retratados no filme como um país em Guerra Civil, além do medo ao terrorismo; à obras como O conde de Monte Cristo, O fantasma da ópera e o mais claro de todos, 1984, de George Orwell; referências surgem também no uso da Abertura 1812, de Tchaikovsky, que simboliza a devastação do exército de Napoleão (este outro símbolo de agressividade e de guerra); além de Anarquia, já que prega uma revolução social e uma quebra do Estado e tudo o que o rege, dentre muitas outras. A própria moradia de V é decorada com uma infinidade de arte e de livros, além de filmes e música censurados, numa grande referência visual ao poder do conhecimento e da arte em todos os sentidos como libertação. 

Como filme, porém, V peca em algumas coisas notáveis, embora não na mesma proporção que acerta. John Hurt tem pouca oportunidade de mostrar serviço na tela, se resumindo a aparecer praticamente o filme todo de um telão, controlando tudo. Outros atores são desperdiçados, como Stephen Fry, que faz um homossexual enrustido apresentador de televisão em um programa de alta audiência e que desafia o governo e o chanceler em um esquete cômico - e por isso paga com a vida. Stephen Rea, outro bom ator, fica zanzando para lá e para cá como um investigador que tem muito a dizer, mas pouco a fazer. Por fim, Hugo Weaving é sepultado detrás de uma já icônica máscara, mas entoa os diálogos como poucos - ótimo ator aliás, mas subestimado. Quanto a Natalie Portman, que é boa atriz sem dúvidas, seu desempenho é notoriamente irregular. O resultado, contudo, é interessante, do começo ao fim e merece ser visto.

Cotação: 3,5/5 

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