sábado, 26 de julho de 2014

Vídeodrome - A síndrome do vídeo - 1983



Por Jason

No bizarro Videodrome, de David Cronenberg, Max Renn (James Woods) é um diretor de uma emissora a cabo que exibe filmes pornôs soft-cores e violentos de quinta categoria. Max quer que o canal atraia mais público e acaba se deparando, ao lado de seu melhor amigo, com um canal pirata que exibe cenas pornográficas e tortura, além de mutilação e morte. Max acredita que tudo não passa de encenação, mas acaba descobrindo que se trata de filmes onde as vítimas são reais chamado Videodrome. Max acredita também que este será o futuro da TV, mas é contestado pelo excêntrico Brian Oblivion, um sujeito que só aparece através de fitas. 

Depois de conhecer e se envolver com Nicki, uma apresentadora de um programa de rádio, ela decide ir atrás da fonte do videodrome, e acaba desaparecendo. Na procura por mais respostas, Max acaba procurando Brian, quando descobre, através de sua filha Bianca, que ele morreu, vítima do videodrome, e que tudo o que se conhece dele vem das fitas cassetes que ele gravou. O videodrome é na verdade um vídeo que abre uma janela no sistema nervoso e emite um sinal que danifica a mente das pessoas, causando um tumor cerebral mortal. A intenção de seu criador, Barry, é transmitir o videodrome para deixar as pessoas que assistem o canal morrerem e assim criar uma nova sociedade. Max é mais uma vítima dele.

Como consequência, Max começa a desenvolver alucinações e paranoias, misturando realidade com imaginação. Em sua barriga se abre um buraco, que é alimentado por fitas cassetes vivas que acabam controlando sua mente e o transformando em um assassino - ele mata os sócios da tv e tenta matar Bianca, mas ela consegue o desprogramar. Exposto ao vidrodrome, Max quase é sugado pela televisão, que vive chamando ele na forma de uma mulher sedutora, a própria Nicki, com voz sexy. O resultado é a mais pura loucura.  

James Woods se esforça, mas o filme é tão bizarro que o ator quase acaba subtraído pelas extravagantes imagens criadas pelo roteiro, afinal não é todo dia que se vê uma barriga se abrir para engolir fita cassete e controlar seu hospedeiro. O resto do elenco não comparece e não se destaca e o filme tem um ritmo vagaroso, que nunca atinge um ápice e nunca deslancha, o que pode espantar ainda mais o público. Mas o fato é que David Cronenberg faz um filme cheio de metáforas sobre o poder da mídia que sobreviveu muito bem ao tempo apesar dos efeitos especiais pré-históricos. A tv aqui é manipuladora e apelativa, se usando de programas que envolvem sexo e violência para ganhar audiência. Em um recurso gráfico interessante, David filma Max recebendo as fitas com uma boca no meio da barriga, como se a própria tv o controlasse, alienando-o, fazendo com que ele acredite que o vê é real, tirando o seu poder de escolha e acabando com sua própria vida - Max imita ao final, percebe-se, o mesmo gesto suicida que ele vê na tv. 

Paralelo a isso, está a ideia embutida de renascimento. Brian Oblivion é uma espécie de guru, que acreditava que havia vida eterna ao se manter vivo em fitas cassetes, o que é um aspecto real e interessante do roteiro se comparado com a realidade atual da mídia. O próprio criador do disseminador do videodrome acreditava em uma forma de libertação do corpo enquanto matéria para uma "nova carne", propagandeada na imagem de Nicki seduzindo Max e convidando a experimentar esse novo estilo de vida. Se trouxermos esse conceito para a atualidade, veremos que ídolos que já morreram tem suas memórias mantidas no imaginário popular através de imagens, sejam em reportagens e programas especiais de televisão ou, atualmente, na internet. Brian poderia estar realmente certo.

Saíram os videos cassetes, tão populares na década de 80 em que o filme foi produzido, entraram a internet e os celulares, as televisões modernas com acesso a internet, a tv a cabo, os reality shows bizarros e degradantes, rede sociais, etc, mas o saldo é o mesmo. Tudo ao final das contas forma um veículo gigante da mídia, para propagação de vídeos como o videodrome, de sexo, violência e imagens reais perturbadoras que mexem com o ser humano, ditam moda, viciam muitos que tem acesso a essa quantidade de informações, transformam pessoas comuns em celebridades rapidamente, etc, num verdadeiro controle das massas. Dito isso, Videodrome continua estranho, exagerado e tenebroso mas ainda assim muitíssimo atual.

Cotação: 3/5

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