sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A sociedade dos poetas mortos - 1989



Por Jason

John Keating retorna ao renomado colégio interno Welton em 1959, onde estudou, para dar aula de Literatura. Os métodos de ensino de Keating se chocam completamente com os métodos da escola: a instituição é arcaica, trazendo aquele ensino tradicional e autoritário - Tradição; Honra; Disciplina; Excelência são os pilares enfatizados pelos seus mentores - que não condiz com a realidade dos novos tempos. Para se ter uma ideia, qualquer atitude que vai de encontro com as normas da escola e os meninos são punidos com surras. Os rapazes são forçados a viverem mecânica e rigidamente, mas eis que Keating desperta neles um sentimento de liberdade de escolha e de aproveitar o dia, a vida, vivendo cada dia como se fosse o último - o termo em latim para esse sentimento, como ele explica, é Carpe Diem.


O jovem estudante Neil (Robert Sean Leonard, cuja carreira não decolou no cinema) descobre que Keating fazia parte de um grupo, a tal Sociedade dos Poetas Mortos. O grupo de Keating se reunia em uma caverna para ler poesia e os novos estudantes acabam se reunindo como nos tempos de estudante do professor para fugirem das normas rígidas da escola. Só que a sociedade dos poetas mortos é mal vista pela direção e dentre os rapazes, o que mais sofre é justamente Neil. Ele quer representar, ser ator, ser ele mesmo e consegue um papel importante em uma peça, mas o pai, arrogante e cego aos anseios do filho, quer que ele seja médico e esqueça o que gosta, alegando que fez muitos sacrifícios para que o menino tenha entrado na escola e cobrando o tempo todo por isso. Neil insiste e representa na peça, assistido pelo pai, e é muito aplaudido. O pai ordena que saia da escola para mandá-lo para uma escola militar. Oprimido e cansado de lutar, Neil comete suicídio.

A morte de Neil acaba fazendo com que a direção vá caçar um responsável, com os estudantes sendo interrogados como se fossem criminosos, para que se entreguem. Sobra, é claro, para o professor Keating, um homem adiante do seu tempo, que quebrou paradigmas no ensino para fazer com os alunos deixassem apenas de ouvir e se expressassem, preparando-os para a vida e para o mundo. Keating é expulso da escola e os alunos forçados a voltarem a sala de aula, com aulas ministradas tradicionalmente. Mas ao sair de cena, Keating percebe, na reação de coragem daqueles rapazes, que deixou uma lição para que eles possam levar para a vida toda. 

Robin Williams entrega um bom desempenho como Keating e do elenco jovem, além de Sean Leonard, é Ethan Hawke, então em começo de carreira, como um estudante fechado e inseguro, que mostra uma mudança de comportamento e que vai culminar na última cena, quando, mesmo cheio de medo, cria coragem para desafiar as regras, subindo em sua mesa e acenando para Keating. Contudo, Peter Weir (A testemunha, Mestre dos Mares) faz um filme lento, que custa a passar no seu primeiro ato - só engrena da metade para o final - com um excesso de personagens no elenco jovem que não se desenvolve ou pouco tem a fazer. Cenas se estendem mais do que o necessário - a da apresentação de Neil, por exemplo - e o filme é verborrágico, carregado de diálogos feitos para reflexão. Falta vigor. O filme recebeu indicação ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator (Robin Williams) todas merecidas, e levou o prêmio de Melhor Roteiro Original.

A sociedade dos poetas mortos marcou a juventude de muitas pessoas - principalmente aquelas em que o filme serviu para levantar debates em salas de aula em escolas. No modo Keating de ensinar, os alunos descobrem a possibilidade de expressarem seus pensamentos, ideias, sentimentos, de se revelarem, de buscarem suas realizações e de serem ouvidos, além, é claro, de fazerem o que gostam. As aulas saem da monotonia - o filme não -, e procuram outro espaço fora do quadrado da sala de aula, expandindo o conhecimento através do mundo exterior também. Para a escola tradicional, os estudantes não deveriam ser nada mais do que uma extensão dos desejos e anseios de seus pais. Keating os estimula a serem eles mesmos e a romperem com o marasmo ao passo que o filme ratifica a importância do papel do professor como um formador de cidadãos e homens diante da sociedade.

Cotação: 3/5

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