quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Arranha-céus flutuantes - 2013



Por Jason

O cinema europeu é muito mais avançado no que diz respeito a tramas com temáticas sexuais e neste filme polonês não é diferente. Arranha céus flutuantes traz a história de Kuba, um jovem atleta, que vive com a mãe e a namorada enquanto treina para competições. Nos intervalos dos treinos, pratica sexo oral com outros homens e esconde sua sexualidade. A relação dos três já é ruim por vida, pois as duas não se dão muito bem e os três dividem um apartamento pobre na cidade (a mãe não quer ficar sustentando a menina que trabalha como garçonete). Em uma noite, Kuba acaba conhecendo Michal, cuja mãe sabe de sua sexualidade e, embora não demonstre apoio, também não o discrimina. Embora seu pai não o aceite, a família é estabilizada, o que o ajuda a se assumir. 

Kuba e Michal começam a partilhar momentos juntos em que passam horas fumando maconha e se divertindo. A namorada de Kuba, no entanto, começa a suspeitar de que há algo errado com os dois. Michal está apaixonado por Kuba, mas este, apesar de também estar envolvido, começa a relutar pois tem medo de que descubram. A relação de Kuba se deteriora aos poucos até o momento em que ele se rende e decide seguir adiante com Michal. Sua namorada e sua mãe descobrem, mas há um empecilho: a menina está grávida, o que força Kuba a dispensar Michal. O final, como de praxe envolvendo o tema, não poderia deixar de ser mais trágico. 

O filme traz um elenco bem calibrado, todos a vontade dentro da trama e toda sorte de nudez, seja feminina ou masculina, com closes em genitais e cenas de sexo quase explícitas - que incluem masturbação, um oral na namorada de Kuba e uma sequência de sexo entre os rapazes que beira o bizarro, no fundo de uma garagem onde eles costumavam se encontrar - para desespero dos mais conservadores. É eficiente em mostrar o desespero de Kuba, que não sabe lidar com o que está sentindo, já que é um rapaz até certo ponto ignorante, que descobre que pode haver algo mais do que sexo entre dois homens mas não consegue aceitar a realidade dos fatos. 

Em contrapartida, o filme falha amargamente em desenvolver arcos dramáticos, incluindo a relação familiar de ambos, principalmente no que diz respeito a Michal. Sua conversa com o pai, relembrando o dia em que ele o surrou e justificando o título do filme, não vai a lugar algum. Os problemas do roteiro começam a surgir no terceiro ato: o filme demora a engrenar e quando engrena, simplesmente acaba. Quando o personagem Michal começa a demonstrar interesse no espectador já que se assumiu para a família, tudo se resolve rapidamente em dez minutos - não bastasse o final de tragédia. Os próprios personagens, aliás, que pareciam se amarem contra tudo e contra todos se afastam definitivamente com uma ligação de segundos (?), deixando uma sensação de que se o filme fosse um pouco maior e o último ato melhor desenvolvido, o saldo final seria no mínimo mais interessante. 

Cotação: 2/5

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