sábado, 23 de agosto de 2014

Dark City - Cidade Misteriosa - 1998




Por Jason

No estranho Dark City, John Murdoch acorda numa banheira e encontra uma mulher morta no quarto em que está. Ele não se lembra de praticamente nada de sua vida, nem sequer do seu nome. Aos poucos, ele procura entender o que está acontecendo enquanto um investigador de polícia, Frank, que está perseguindo um serial killer de prostitutas acredita que John é provavelmente este assassino. John guarda apenas lapsos de memória de sua infância e de Emma, sua mulher. Durante a sua fuga, ele acaba percebendo um padrão na cidade: é sempre noite e, a partir de meia noite, todos os habitantes adormecem e tudo para de funcionar. 

A partir daí, as pessoas perdem suas lembranças, suas recordações, reiniciando a noite como se fossem outras pessoas. John, com a ajuda de Frank e de um doutor que o procura e o avisa que só ele pode vencer os criadores da cidade, descobre que a cidade não possui uma saída. Tudo é uma simulação do cotidiano. Ela foi criada e é controlada por uma raça alienígena desconhecida, vampiresca, que não pode ser exposta a luz solar. A raça desconhecida está morrendo e acredita que a única forma de se perpetuarem é com a humanidade, quando descobrirem o segredo da alma humana já que eles próprios, em suas formas originais, mais parecem criaturas saídas do filme Final Fantasy. Por isso o rapto de todos aqueles humanos e os estudos dos cotidianos em uma cidade que nada mais é que uma nave espacial gigante. As pessoas são dopadas com memórias falsas, de um passado que muitas vezes não pertencem a elas, e vivem suas vidas sem se recordarem de seus passados, robotizadas e acostumadas àquele padrão. Os desconhecidos querem na verdade descobrir o segredo da alma humana simulando a vida daquelas pessoas que parecem completamente vazias. E John é, por assim dizer, um defeito dessa Matrix, por trazer sentimentos que são desconhecidos a raça alien. 

A semelhança com Matrix, aliás, é gritante. Se lá Neo é o salvador da pátria e desenvolve habilidades como a das máquinas, aqui é John que se encarrega dessa tarefa, desenvolvendo habilidades mentais para rivalizar com seus inimigos. A ideia de que os humanos vivem em uma realidade paralela ou um mundo virtual também está presente. Pode-se pegar o confronto final de John com o vilão no ar enquanto a cidade vai pelos ares e colocar diante do combate entre Neo e o Agente Smith explodindo tudo e perceber semelhanças incríveis. Tem até personagem no metrô esperando por um trem para sair da... Matrix? - não dá, contudo, para saber se Matrix, lançado posteriormente, bebeu dessa fonte. O fato é que Dark City também pode ter sugado muito de Metropolis - é impossível não reconhecer na cidade os ares expressionistas do clássico e semelhanças na sua arquitetura moderna, clássica e futurista ao mesmo tempo. A cidade é escura, filmada em uma fotografia pesada de alto contraste, e parece trazer elementos de um filme noir, onde se diluem prostitutas, crimes, uma femme-fatale, locações exóticas, casa noturna, etc. Essa cidade também é criada e modelada como as cidades de Matrix e A origem, de Nolan (lançado mais de dez anos depois), com direito a prédios se mexendo para lá e para cá. Todo o conjunto, aliás, também soa como uma forma de pesadelo fantástico, com um cientista maluco e aparelhos estranhos, saídos de algum filme perdido de Jean-Pierre Jeunet.

Mas se o cenário é interessante e a trama curiosa, a coisa começa a degringolar a partir do elenco principal. Rufus Sewell deixa a desejar, William Hurt parece que está ali a pulso sem acreditar no projeto e Jennifer Connely, linda, parece mais perdida que cega em tiroteio. Kiefer Sutherland, como o Doutor Schreber, traz um personagem interessante, forçado a apagar suas próprias memórias e que acredita que John pode libertar todas aquelas pessoas e conduzi-las para a liberdade e para a verdade "fora da caverna" - o ator, porém, faz uma caricatura. Todos, aliás, capazes de performances melhores.  A direção de Alex Proyas (Eu, robô, O corvo) é frouxa que só. O final joga uma pá de cal, já que John ganha todos os poderes de controlar a cidade e ao invés de libertar as pessoas como se esperava, apenas tenta criar um ambiente melhor pensando em si mesmo e em Emma. Os próprios vilões em suas formas vampirescas, branquelos e carecas parecem ter saído de um filme de Star Trek. Esqueça os efeitos especiais: há momentos dignos de vergonha alheia, trata-se de um filme de baixo orçamento, mas nada supera John detonando tudo com o poder da mente. Quase um X-Men.

Cotação: 3/5

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