terça-feira, 19 de agosto de 2014

O mundo segundo Garp - 1982



Por Jason

O mundo segundo Garp é um filme de comédia dramática baseado no livro best-seller de John Irving, The world according to Garp. A mãe de Garp, Jenny, uma enfermeira, deixa seus pais em choque ao apresentar seu filho recém nascido. Ela manteve relações sexuais com um soldado atingido no cérebro que mantinha ereção constante, balbuciando apenas a palavra Garp, que ela adotou como nome do filho. Desde pequeno, Garp teve contato com materiais sexuais e é super protegido pela mãe, que é paranoica e controladora. Ao crescer, ele almeja ser jogador de futebol, sua mãe quer que ele jogue basquete, mas ele acaba se especializando em luta greco-romana, o que o leva a conhecer a filha do treinador.

Garp faz de tudo para que ela se apaixone por ele, mas ela, que gosta de leitura, deseja namorar um escritor. Garp decide que se tornará um escritor, mas sua mãe o proíbe por ele contar partes de sua história que ela não quer expor. Até que depois de um interrogatório com uma prostituta, Jenny decide contar sua vida na forma de um livro. O resultado é que ela acaba fazendo sucesso, contando todos os seus podres e o de seu filho e virando ícone do feminismo. Mais tarde, casado e com filho e com a mãe podre de rica, Garp acaba conhecendo um transexual, Roberta, que vive com sua mãe junto a outras mulheres que sofreram abusos de todos os tipos. Paralelo a isso, Garp mantém um caso com a babá e sua esposa mantém um caso com um aluno da escola onde dá aula. Em uma noite, quando ele descobre que ela está traindo, um acidente faz com que ela quase morra numa sessão de sexo oral com o amante que acaba castrado a dentadas. 

Robin Williams transita bem entre comédia e drama, mas não consegue rivalizar com os outros já que Glenn Close é uma monstra. Seu trabalho como Jenny é impecável, o que garante metade do êxito do filme. Atormentada pelo sentimento constante de luxúria do filho, sua personagem chega ao ponto de interrogar uma prostituta ao levá-la para tomar um café, só para entender a relação que paira entre ela e seu filho num dos momentos mais bizarros do filme (são muitos). Por outro lado, é tão estranho ver John Lithgow como transexual que todo o resto deixa de ser esquisito e passa a ser perfeitamente aceitável. Roberta é uma figura que se insere perfeitamente no meio da famiília sem qualquer preconceito e parece, de todo o filme, ser a única personagem que poderia ser considerada normal diante de tanta loucura. Tamanho empenho de Close e John resultariam em indicações ao Oscar pelas suas performances.

O mundo segundo Garp, porém, não agrada a qualquer público. Na tentativa de fazer algo diferente, bate em temas como adultério, homossexualidade, preconceito, feminismo, sexualidade precoce, mas parece não se resolver nem se aprofundar em nenhum deles. As situações dos personagens são surreais e o filme não é muito feliz na comédia e tampouco no drama. Essa mistura pode ser indigesta para quem espera mais do que o filme oferece, se considerarmos que o filme tem mais de duas horas e demora a passar. Ironicamente, seu final é trágico, mas diante de tudo o que se viu anteriormente, fica uma sensação de que o mundo de Garp é tedioso - bem diferente da vida ainda mais bizarra (e mais interessante) que a de sua mãe.

Preste atenção: a mãe de Jenny, que desmaia ao ouvir como a filha engravidou, é interpretada por Jessica Tandy, em participação especial.

Cotação: 2,5/5

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