segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Pecados de guerra - 1989



Por Jason

No rastro de Platoon, de Oliver Stone, e de outros filmes de guerra da década de 80, Brian De Palma se saiu com esse filme sobre a Guerra do Vietnã em 1989, que pode ser um dos filmes mais fracos a abordar o tema, não atingiu êxito de bilheteria nem de crítica, mas ainda assim é mais um documento interessante sobre o conflito. O filme começa com o soldado Eriksson (Michael J Fox) dormindo em um ônibus e relembrando dos fatos da guerra ao olhar para uma menina de traços orientais. A partir daí, retorna no tempo para a operação no Vietnã. 

Baseado em fatos, Eriksson testemunha um crime em uma vila vietnamita - uma mulher é raptada, humilhada, obrigada a carregar os equipamentos dos soldados até ser estuprada pelo grupo e por fim assassinada. Eriksson acaba ficando sozinho contra seus colegas por não apoiar esse tipo de atitude. Quem chega perto de discordar é o soldado Diaz (John Leguizamo), que chega ao grupo depois e, mesmo não querendo fazer, é obrigado pelos outros a participar do estupro. O principal algoz é o sargento Meserve (Sean Penn), que diante da guerra enlouquece. Durante uma operação, ele muda o rumo porque quer arranjar uma mulher para seu uso sexual e ordena que os soldados aniquilem qualquer civil que apareçam pela frente. 

Eriksson, que aparentemente se alistou no exército achando que ajudaria aqueles pobres vietnamitas, acaba acompanhando tudo, impotente. Sem conseguir se comunicar muito bem com a mulher, ele começa a carregar a culpa pelo ato, tentando amenizar uma situação que só se agrava a cada minuto. Ao retornar para o acampamento depois de ser resgatado, ele pede ajuda para resolver a situação com seus superiores, mas é ignorado por eles, que tratam tudo como se fosse casualidades de guerra. As justificativas para o ato são as mais banais e ridículas possíveis e é essa ideia de normalidade diante de uma situação séria, um dos pontos que mais chocam durante o filme. Eriksson, no entanto, leva adiante a situação para o tribunal, conseguindo a condenação e culpa de todos os soldados envolvidos. 

Sean Penn era a cara da loucura e do elenco é o que se sai melhor como o surtado sargento. Para variar, durante as gravações, o então marido de Madonna estava causando a maior confusão nos bastidores misturando seus problemas pessoais com seus problemas profissionais. Não ajuda muito a cara de Michael J Fox no sucesso De volta para o futuro, que acaba protagonizando momentos de risos involuntários. O filme ainda tem John C Reilly e Ving Rhames como coadjuvantes que pouco tem a fazer. A sequência envolvendo o crime é a mais lembrada e a mais impactante, mas De Palma filma tudo mantendo um distanciamento, como um observador ou um ato até de voyeurismo, uma marca típica de filmes do diretor: Eriksson permanece de noite, sob a chuva, observando o ato de longe enquanto os homens se revezam numa cabana.    

O filme também traz uma série de questionamentos morais e éticos relevantes além da problemática principal, como o fato de que o sargento responsável pelo batalhão ser apenas um jovem mal saído da adolescência, sem experiência, condenando o fato absurdo do exército americano colocar uma pessoa psicopata e despreparada como líder de um pelotão num conflito daquela proporção.  Pesam contra os filmes os clichês, com discursos enfadonhos de protesto de Eriksson ou a trilha sonora incisiva e dramática que permeia quase todo o filme em muitos momentos desnecessários. A montagem do filme é frouxa - um verdadeiro desastre, principalmente nas sequências dos conflitos - diferente dos filmes anteriores de De Palma, que depois dele viu sua carreira ir ladeira abaixo e nunca mais se recuperou. Contudo, vale uma revisitada.

Cotação: 3/5 

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