sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Triângulo do medo - 2009



Por Jason

Triângulo do medo é um filme interessante de suspense feito com baixo orçamento, que acabei descobrindo por acaso e trazendo Melissa George no papel de Jess, uma garçonete que tem um filho autista e parece sofrer de algum desligamento mental. Jess é convidada por um cliente, Greg, para um final de semana velejando com os amigos dele, mas uma estranha tempestade surge do nada e surpreende o grupo, naufragando o veleiro e deixando-os no mar aguardando uma salvação. Na viagem estava Heather, que foi convidada a contra gosto por Greg e após o naufrágio desaparece e é dada como morta pelo grupo. 

De repente, um navio aparece e parece estar abandonado. O grupo embarca, até descobrir que há uma pessoa dentro dele e se divide, tentando encontrá-la e acreditando se tratar de Heather. Ocorre que todos acabam morrendo, assassinados por essa pessoa misteriosa. Jess descobre que a pessoa que está no navio é na verdade uma cópia de si mesma e que o grupo está preso numa espécie de limbo temporal, onde os acontecimentos de repetem incessantemente. O problema se dá a partir daí. Jess precisa provar para as pessoas o que está acontecendo, mas a estratégia se mostra desastrosa. O filme começa então a mostrar as mesmas situações só que de outros pontos de vistas. 

As cópias de Jess e do grupo vão se multiplicando. Na cabeça dela, ela precisa matar todos que entrarem no navio, quantas vezes forem necessárias e então conseguirá retornar para casa. O filme passa todo o tempo mostrando as idas e vindas do grupo, com Jess tentando mudar o padrão e salvar um e outro, mas sempre sem conseguir. Quando a Jess que o espectador acompanha desde o começo do filme consegue escapar do navio, vai parar numa praia e volta para a casa. O filme então retorna para o seu próprio começo, mostrando que Jess ainda precisa dar um fim ao pesadelo que está longe de acabar.

O roteiro oferece, contudo, pistas do que está acontecendo: o navio se chama Aeolus, pai de Sísifo na mitologia grega, o mortal que enganou a morte e por isso foi condenado por toda a eternidade a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida, fazendo-o repetir o gesto. Dito isso, pode-se supor que Jess, que era uma péssima mãe como se percebe ao final, morreu em um acidente e que os outros amigos também faleceram - quando o veleiro afundou (Heather, a convidada, na verdade, teria sobrevivido). O navio seria um tipo de limbo onde as almas passam seus dias repetindo os acontecimentos e se destruindo, com Jess no purgatório (o quarto no navio é o mesmo número da casa dela), até encontrarem uma forma de aceitarem os seus pecados e se redimirem. Completam o cenário de inferno de Dante sobre as águas uma figura ao final do filme, um motorista, que lembra a morte ao se aproximar de Jess, deixando tudo obscuro ao redor e que diz que ela nada pode fazer pelo filho morto.

Em contrapartida, em outra linha de raciocínio não menos óbvia, Jess parece ser vítima da cabeça do seu filho autista, que criou aquele mundo para escapar dos maus tratos dela e enxerga tudo de outra forma - no começo do filme, Jess recolhe um veleiro afundado da piscina, deixado pelo menino, que está pintando uma figura azulada como... o mar revolto. Ela diz ao filho algo sobre ter pesadelos (seria tudo um pesadelo?), limpa uma tinta azulada que cai no chão depois que ele se assusta com uma figura na janela (outra versão dela mesma) e se sente culpada por ter que deixá-lo para viajar. Nota-se também que durante a viagem, Greg não para de fazê-la lembrar do seu filho. Já em casa, a Jess "original", depois de passar por toda a tormenta no navio, percebe como era má com o menino e acaba com essa sua versão. Isso poderia ser visto como uma expressão de desejo do menino de substituir aquela mãe ruim por uma que o amasse. 

Mas o filme também não explica porque Jess não lembra de nada (ela estaria fingindo?), mesmo estando na cena do acidente que a matou. Também não dá para saber porque Jess racionaliza que matando todo mundo poderá voltar para casa, sendo que a saída mais viável seria fazer com que todos ajudassem a sair (será que por ser uma alma penada ela precisaria evoluir sendo uma pessoa melhor com todos para encontrar a salvação?). Enfim, são só ideias. Melissa George resume sua atuação a cara de espanto e de perdida. O restante do grupo é pior, incluindo Liam Hemsworth e pouco tem a fazer. O filme não explica e o espectador pouco tem noção da função dos personagens secundários, já que são mal delineados, pouco contribuem para a trama (estão lá só para as mortes) e em qualquer teoria sobre o roteiro eles parecem que não se encaixam. Os efeitos são toscos, não dá para esperar muito de um filme independente e barato, e o que segura o filme são as ideias de seu roteiro, que desperta a curiosidade no espectador em saber o que está acontecendo e buscar uma explicação - que por sinal, o filme não dá claramente, o que pode ser frustrante para alguns. O resultado de tudo isso é um filme mediano, mas ainda assim intrigante.

Cotação: 2,5/5

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Por que Heather, no veleiro, é quem informa Sally que Jess tem um filho autista? (Como Heather conhece Jess?)?

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